Chegamos no quarto amplo e arejado, todo envidraçado, que observei de forma atenta.
- Eu sempre quis conhecer a sua casa... – Confessei, enquanto me movimentava pelo lugar, analisando tudo.
- Eu não sabia disto, chuchu! Poderia ter me avisado antes.
- Mesmo se eu tivesse avisado antes, não teria me trazido.
- Como pode ter tanta certeza?
- Você não me amava... – Passei a mão nos lençóis brancos e limpos, tão macios quanto uma bolinha de algodão.
- Acha que meus sentimentos vieram de ontem para hoje? – Me olhou, escorando-se no vidro que dava para a rua.
- Quando vieram? – Eu quis saber.
- Há muito tempo... Mas só fui ter certeza absoluta na casa no lago.
- Você fez tudo errado lá. – Não pude deixar de lembrar, enquanto me dirigia para os quadros pendurados na parede, querendo encontrar um em específico.
- E me arrependo muito. – Ele deixou claro.
Até que encontrei o que eu tanto procurava. Lá estava o teste de gravidez, emoldurado, exatamente como ele garantiu que havia feito.
“Paciente: Mônica Aldama
Resultado: Positivo
Material: Soro
Método: Imunocromatográfico”
Quando me virei, sentindo o coração apertado, Gabe estava atrás de mim, nossos corpos se chocando.
O encarei e disse, do fundo do meu coração:
- Eu... Sinto muito!
- Eu sei.
- E não, não é por ela... Mas pela criança. Porque se ela estivesse viva... Eu não teria o conhecido. – Fui sincera.
- Se outra pessoa ousasse me dizer isto, eu ficaria furioso. Mas é você...
- Eu não acho que você seja o culpado que aconteceu.
- Sim, eu sou.
- Foi uma fatalidade, Gabe.
- Não, não foi.
- A vida é assim... Todos os dias pessoas morrem...
- Nem por isto tempos que aceitar quando não é a ordem natural das coisas.
- A ordem natural das coisas é a morte.
- Por isto decidiu que tem 20 anos menos de vida que uma pessoa normal?
- Isto é fato.
- Explicado pelo doutor G****e.
Sorri:
- Sabe que minha saúde é delicada.
- Sinto muito por ter tirado a insulina de circulação.
- Eu sei.
- Quero que saiba que nunca mais cobrarei a insulina NPH que sair do laboratório da Clifford. Quem, em Noriah Norte, não tiver condições de pagar, estarei distribuindo de forma gratuita. E isto não será apenas por um ano, como você estipulou. Será para sempre.
- É um grande gesto, Gabe... Principalmente vindo de você.
- Não faço isto pelas pessoas que precisam... E sim por você.
Eu ri, dando um passo para trás:

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