- Eu... Espero que tenham uma boa noite. – Falei com orgulho de mim mesmo, por não ter feito nenhuma besteira, como quebrado a cara do meu irmão.
Apesar de tudo, eu e Jorel ainda estávamos morando na mansão Clifford, para o bem de Aneliese. Tudo que ela queria era união e pela primeira vez estávamos os três empenhados em fazer algo dar certo juntos. Eu não sabia ao certo quanto tempo minha irmã tinha de vida, mas faria qualquer coisa que ela pedisse para que seus dias fossem os mais incríveis possíveis.
- Não vai... Quebrar a minha cara? – Jorel perguntou, confuso.
- Quer que eu quebre? – Eu ri, logo em seguida olhando para Olívia, que seguia séria, com o olhar fixo no meu.
- Não, claro que não... Mas... Eu estou acompanhado de Olívia. – Apontou para ela, confuso.
- E eu fazendo terapia. – Confessei – E pela primeira vez na vida fazendo uso de medicamentos produzidos pela minha empresa!
- Você fazendo terapia? – Jorel arregalou os olhos.
- Falamos depois sobre isto, ok? Vamos nos divertir – se é que isto é possível com ela aqui – Afinal... Estamos na Babilônia.
Virei as costas e saí, sentindo meu coração estraçalhado. Meu psiquiatra ficaria orgulhoso de mim, mas meu ego estava simplesmente no dedão do pé. O medicamento não fazia eu sentir menos ou mais, não tirava minhas emoções... Mas me dava autocontrole, algo que nunca tive na vida.
Resisti no início em aceitar a medicação, afinal eu era filho de uma mulher que viveu praticamente a base de medicamentos controlados, o que também a levou a morte. Mas meu estado nervoso não estava mais me dando chances de recusar qualquer coisa. Se eu não fizesse algo para me controlar, já teria sequestrado Olívia há muito tempo e a levado para fora do país para nunca mais ficar longe de mim, nem ter como pedir socorro.
Eu sabia que ainda tinha um longo caminho a percorrer com relação a aceitação de deixá-la ir, mas não tinha mais condições de lidar com tudo que a vida estava me trazendo de demandas que mexiam com todo meu ser, como a doença incurável de minha irmã, por exemplo.
Por mais louco que pudesse parecer, entendi que deixar Olívia livre era um sinal do meu amor.
Subi para o camarote novamente e Rael perguntou:
- Como foi?
- Difícil! – confessei.
Ele pôs a mão no meu ombro:
- Vai superar.
Não, eu não iria superar! Doeria pra caralho e se eu não tomasse algo forte nem dormiria naquela noite. E quando Jorel chegasse na manhã seguinte, eu sabendo que ele tinha dormido com ela, teria que me controlar ainda mais.
Aliás, eu não iria para casa. Não estava preparado para o dia seguinte dos dois. Olhei para baixo e os vi conversando no bar e senti vontade de gritar. Pus a mão na cabeça e ouvi a mulher ao meu lado falando, sendo que não conseguia entender uma palavra sequer do que ela dizia, já que não prestava atenção.
Vi Olívia olhando para cima novamente e me perguntei o porquê ela tanto me fitava.
- O que acha de irmos embora daqui? – Convidei a mulher, fazendo-a calar-se enquanto dizia algo que para mim era insignificante.

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