POV GABE
Maldita hora que eu fui dizer para Jorel que devia ir atrás de Olívia porque achava que ela gostava dele. Sim, até tinha passado pela minha cabeça que eles mereciam ficar juntos, pois que até combinavam, tanto em questão de idade, como também em comportamento e gostos, me convencendo de que tinham muito em comum e tudo que eu queria era a felicidade dela.
Mas ficarem se esfregando na minha cara? Não, aquilo era demais para mim!
Parei praticamente ao lado deles, observando Olívia me procurar com os olhos, na região onde ficavam os camarotes, de onde eu tinha saído. Qual a intenção dela, afinal? Que eu visse os dois juntos e perdesse a cabeça? Se sim, havia conseguido.
Enquanto todos tentavam dançar na pista absurdamente lotada, Olívia e Jorel estavam parados feito duas estátuas, conversando. Cruzei os braços, analisando-os sem pressa. Até que os braços dela finalmente deixaram o corpo dele.
Me dirigi ao casal e toquei o ombro de meu irmão, falando em seu ouvido:
- Tinha que dar bebida a ela?
Jorel ficou surpreso com a minha presença, olhando para mim e depois para Olívia, atordoado. Encarei minha esposa, que não desviou os olhos dos meus, parecendo querer me testar. Ela estava encantadora... E a mulher mais linda do lugar. E o melhor: não usava laranja.
- Oi! – Cumprimentei-a, fingindo tranquilidade.
- Oi! – ela sorriu e acenou – Como está?
Fodido! Quebrado! A ponto de me suicidar logo depois de quebrar o nariz do meu irmão pela segunda vez. Eu ainda amo você!
- Estou bem... E você?
- Bem... Muito bem! – mostrou o copo, talvez para deixar claro que havia bebido algo e não se preocupava nenhum pouco com a doença.
- Eu... Vim comemorar a retirada do gesso. – Jorel explicou, sorrindo.
- Hum! – não conseguir retirar os olhos dela, mal tendo certeza se ele falou alguma coisa de fato.
- Gostariam de... Juntar-se a nós no camarote? – Ofereci, puto da vida comigo mesmo por propor aquilo, certo de que daria merda.
“Não”, disse Jorel ao mesmo tempo que ela disse “Sim”. Meu chuchu amava um joguinho e claro que não deixaria passar em branco a oportunidade de me pisar. E eu estava tão carente e necessitado de sua presença que pouco me importava de ser machucado ou espezinhado.
Fui empurrando as pessoas e abri espaço para ela, que passou seguida por Jorel. Deixei-os ir na frente e peguei o copo cheio que alguém tinha na mão, jogando tudo nas costas de meu irmão.
Jorel parou e olhou para trás, furioso. O empurrei e olhei para trás, fingindo ser culpa de outra pessoa.
- Porra, alguém derrubou bebida em mim. – Ele gritou, tentando achar o culpado, que poderia ser qualquer uma das mais ou menos cem pessoas próximas num raio de quatro metros.

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