Retirei meu dedo do gatilho, o que fez com que meu pai pegasse a arma e mirasse no cachorro, dando um tiro tão próximo a ele que o fez acuar de forma fraca, demonstrando o quando estava debilitado. Rapidamente peguei o revólver e mirei no animal, fechando os olhos e apertando o gatilho.
Não ouvi um gemido, um latido, absolutamente nada. Virei na direção do meu pai, ainda de olhos fechados e quando os abri deparei-me com seus olhos maquiavélicos nos meus, um sorriso nos lábios:
- Estou orgulhoso de você, meu filho!
Não falei nada. Simplesmente limpei as lágrimas e tentei fingir que aquilo não aconteceu, deixando que a arma caísse no chão.
- Passará por coisas muito piores nesta vida, garoto! E será grato por eu tê-lo ensinado a lidar com isto. Este cachorro é como algumas das pessoas que cruzarão seu caminho no futuro... Já estão mortas, só não sabem. Nos negócios é preciso ser frio e impassível, meu menino.
Suspirei e passei por ele, indo em direção à um lugar qualquer, na tentativa de sair daquele lugar imediatamente.
- Gabe? – ele me chamou.
Virei-me na sua direção e ele apontou o dedo para minha região íntima:
- Você... Mijou na calça? – a voz soou fraca e decepcionada – Você... Urinou-se por que acabou com a dor de um pobre cachorro que já estava morto? – de repente a decepção deu lugar ao deboche – Eu não acredito! – começou a gargalhar – Você é um fraco, um inútil... Saia daqui agora ou vou atirar na porra da sua cabeça que não serve para nada!
Saí correndo dali, para salvar a minha vida. Quando cheguei em casa, fui para o meu quarto e deitei na cama, pondo o travesseiro sobre a minha cabeça, tentando acreditar que tivesse sido um pesadelo.
Senti o travesseiro sendo retirado de mim e a mão alisando minha cabeça:
- Me desculpe, filho... Tive um dia ruim, só isto!
Eu não consegui dizer nada... Até porque nunca sabia quando uma frase dele era um jogo ou não.
- Vamos esquecer isto, garoto! O que acha de marcarmos uma viagem de férias toda a família quando eu voltar? – alisou meus cabelos – E poderia convencer Aneliese a ser uma boa garota e não se recusar a nos acompanhar.

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