Aproximou o rosto do meu, ficando a centímetros de distância. Fechei os olhos e esperei por um beijo... Que não veio. Suspirei e tentei rir, mas não tinha como, já que Gabe segurava meus lábios entre seus dedos. Eu sabia que haveria o dia em que ele imploraria por um beijo meu, assim como eu fazia naquele momento. E eu teria o prazer de me vingar. E eu era esperta o bastante para saber que aquele dia não demoraria a chegar.
Gabe soltou meu queixo e retirou os cabelos das minhas costas, jogando-os para o lado. Depois alisou minha cicatriz da nuca e, num ato que me deixou impressionada, beijou-a de forma gentil e delicada, fazendo com que todo meu corpo se arrepiasse àquele toque de carinho, que jamais havia feito antes.
- Quero voltar para as margens, Gabe! – pedi, atordoada, não querendo ceder aos desejos do meu corpo.
- Podemos voltar... Se prometer que se comportará.
- Não gosto de fazer promessas que não posso cumprir, marido. Sinto muito.
- Por favor, Chuchu...
- Você foi um garoto mau, Gabe! E será punido, assim como me pune.
- Se você soubesse o quanto tenho lutado contra mim mesmo, Olívia! – deitou a cabeça novamente no meu ombro.
- Não sou sua psicóloga, Gabe. Sou sua esposa. Você precisa se tratar. Uma pessoa que não faz nada da vida a não ser pensar em se vingar de outra é doente. E deve saber que não há um remédio sequer na sua farmácia que possa curá-lo se não deseja realmente mudar suas atitudes e fazer diferente.
- É mais forte que eu!
- Então sinto muito, mas não posso fazer nada.
Gabe respirou fundo e pegou minhas mãos de forma gentil, colocando-as na parte da frente da moto aquática. Em seguida puxou as cordas do colete com força, apertando-o ao meu corpo.
- Se você caísse na água, o colete não a protegeria. Ele boiaria e você não teria estabilidade, pois não está ajustado. Correria o risco de se afogar. Agora está segura. E não é só porque eu estou com você e não deixaria nada de mal lhe acontecer, mas porque me preocupo com a sua segurança. Entendeu, Chuchu?
- Por que se preocupa com a minha segurança, Gabe?
- Porque como eu me vingaria do seu pai se você estivesse morta?
- Filho da puta! – me movi para frente, o afastando de mim.
- Um filho da puta que a deixa na frente e a protege com o próprio corpo, diferente do meu irmão, que a pôs atrás e sem proteção.
- Continua sendo um filho da puta!
Gabe riu e guiou o jet ski de forma segura até a margem. Assim que chegamos no deck, desci e retirei o colete, jogando longe.

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