A pergunta que Sílvio fez sem pensar deixou o pequeno Patrick completamente confuso.
Ele tinha apenas cinco anos e nunca tinha pensado nesse tipo de questão.
Sílvio não insistiu no assunto e mudou de tema, perguntando:
"Você tem algum desejo? O papai ficou tantos dias fora, precisa compensar você direito."
"Eu queria jantar com a mamãe."
"……"
Patrick sabia como deixá-lo em uma situação difícil, mas, no fim das contas, Sílvio não tinha muito tempo e, por causa do filho, estava disposto a qualquer coisa.
Quando Sílvio ligou para Carla, ela estava no laboratório analisando materiais.
"Jantar com vocês dois?"
Carla, ao ouvir a proposta, quase recusou instintivamente.
Mas então, ao olhar para o visor do equipamento que mostrava a taxa de sucesso dos testes clínicos com o coração artificial em 48%, as palavras de recusa se perderam em sua garganta.
Era indispensável concluir a primeira rodada de testes.
Só assim poderia identificar os problemas e evoluir dos cinquenta para mais de oitenta por cento de sucesso...
Talvez pensando nos experimentos, ela acabou concordando.
……
Ao entardecer, Sílvio chegou cedo ao restaurante com Patrick para esperar.
Era um bistrô reservado, elegante e silencioso.
Quando a cadeira de rodas de Carla apareceu, Sílvio, com sua figura imponente, foi ao encontro dela com passos largos.
"Carla, você veio."
Sua voz transmitia um cuidado delicado, enquanto ajeitava a cadeira de rodas dela.
Carla respondeu com um breve "hum".
Patrick também se aproximou, murmurando tão baixo que só ele pôde ouvir:
"Mamãe…"
Carla não respondeu.
Os três entraram juntos no elevador do restaurante.
Durante a subida, o elevador deu uma leve sacudida.

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