“Lucas Sinclair”
Subo as escadas dois degraus por vez, ignorando o cansaço que pesa nos meus ombros.
Quando chego ao quarto de Oliver, encontro a Sra. Mallory sentada na beirada da cama, tentando acalmar meu filho, que soluça baixinho, agarrado ao foguete de pelúcia.
— Oliver — chamo, entrando.
Ele levanta a cabeça imediatamente, com os olhos vermelhos e o rosto molhado de lágrimas.
— Papai! — grita, correndo até mim e se jogando nos meus braços.
Me abaixo e o pego no colo, apertando-o contra o peito.
— Está tudo bem, campeão — sussurro, beijando a cabeça dele. — Está tudo bem.
— A Ivy foi embora — ele soluça, enterrando o rosto no meu pescoço. — Ela foi embora e não voltou!
— Eu sei — murmuro, afastando-o um pouco para encará-lo. — Mas sabe o que vamos fazer?
Ele balança a cabeça, fungando.
— Vamos buscá-la — digo, limpando as lágrimas do rosto dele com o polegar. — Você e eu.
Os olhos dele se arregalam.
— De verdade?
— De verdade — confirmo, sorrindo. — Mas, antes, você precisa juntar alguns brinquedos que quer levar. E a Sra. Mallory vai arrumar algumas roupas suas, tudo bem?
Oliver assente rápido, limpando o nariz com as costas da mão, e corre até a caixa de brinquedos, separando seus favoritos com uma urgência quase cômica.
A Sra. Mallory se levanta, com os olhos marejados.
— Sr. Sinclair, sinto muito pelo que aconteceu — murmura, quase envergonhada. — Eu não… podia fazer nada.
— Não foi sua culpa, Sra. Mallory — interrompo, gentil. — A culpa é de uma pessoa só. E ela já foi devidamente… repreendida.
Ela assente, ainda visivelmente abalada, e vai até o armário de Oliver separar algumas roupas.
Pego o celular e disco para Owen.
Ele atende no segundo toque.
— Conseguiu resolver as coisas por aí?
— Sim — respondo, saindo do quarto e fechando a porta até a metade. — Agora preciso que encontre o endereço da Tiffany. Ela trabalha na empresa. O RH tem essa informação.
— Vou ver o que consigo. É sábado, o RH não está funcionando hoje, mas… dou meu jeito.
— Obrigado.
Desligo e volto para o quarto. Oliver já terminou de juntar os brinquedos, e a Sra. Mallory está fechando uma mochila com roupas.
— Pronto, Sr. Sinclair — ela diz, entregando a mochila.
— Obrigado — murmuro, pegando-a. — Vamos, campeão.
Oliver segura minha mão e praticamente me arrasta para fora do quarto.
Descemos as escadas exatamente quando meu celular vibra. Owen.
“261 Gates Avenue, Brooklyn. Apartamento 3B.”
Sorrio de leve e guardo o celular.
— Vamos — digo, abrindo a porta.
Mas, antes que possamos sair, a voz de Blair ecoa atrás de nós.
— Você realmente vai fazer isso, Lucas? — pergunta, descendo as escadas. — Vai acabar com a nossa família por uma… qualquer?
Aperto a mão de Oliver e me viro devagar. Depois, olho para ela como quem observa algo que já não importa mais.
— Não, Blair. Estou acabando com uma farsa. A família eu estou levando comigo.
Ouço passos do outro lado e a porta se abre, mas não é Ivy. É Tiffany.
Ela nos encara, surpresa.
— Sr. Sinclair…
— Tiffany, a Ivy está aqui? — pergunto, tentando manter a calma.
— Está, mas…
— IVY! — Oliver empurra a porta e corre para dentro.
Passo por Tiffany e sigo seus passos. Quando ouço a voz dela, o alívio me atinge imediatamente.
— Oliver?
Ivy aparece no corredor, com o rosto pálido e os olhos vermelhos. Oliver se j**a nos braços dela.
— Ivy! — Ele chora, se agarrando como se ela pudesse desaparecer. — Eu encontrei você!
— Oi, astronauta — ela sussurra, se ajoelhando para abraçá-lo. — Oi, meu amor.
Ela fecha os olhos, enterrando o rosto no cabelo dele, e as lágrimas escorrem.
Fico parado, observando o alívio no rosto do meu filho. Vendo como ele se agarra a ela como se fosse tudo.
Porque é.
Depois de alguns minutos, Oliver se afasta um pouco, fungando.
— A Blair é má — ele diz, ainda choroso. — Ela fez você ir embora. Mas o papai falou que a gente ia te buscar. E a gente veio!
Ivy levanta os olhos e, finalmente, me encara.
Nossos olhares se encontram e eu vejo a dor, a mágoa, a incerteza.
E, pela primeira vez, tenho medo de que ela não me deixe consertar o que Blair quebrou.

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