Ouço a voz de Lucas, baixa e controlada, respondendo algo que não consigo distinguir. Em seguida, passos rápidos.
A porta do quarto se abre com força, e Tiffany aparece, assustada.
Ela para por um segundo, me olhando. Seus olhos estão vermelhos, o rímel borrado, o cabelo completamente bagunçado. E então…
— IVY! — Ela grita, correndo até a cama.
Antes que eu consiga dizer qualquer coisa, minha amiga se j**a sobre mim, me abraçando com tanta força que quase não consigo respirar.
— Tiff… — murmuro, tentando retribuir o abraço apesar da agulha no meu braço. — Calma. Eu estou bem.
— Bem? — Ela se afasta só o suficiente para me encarar, com as lágrimas escorrendo pelo rosto. — VOCÊ SUMIU, IVY! Eu te procurei pela boate inteira! Achei que você tinha ido embora sem avisar, mas quando o Owen me ligou dizendo que você tinha sido… que alguém tinha…
A voz dela falha. Tiffany cobre o rosto com as mãos e começa a soluçar.
— Amiga — digo, segurando o braço dela. — Olha pra mim.
Ela levanta os olhos, ainda chorando.
— Eu estou aqui — continuo, baixinho. — Estou viva. Estou segura. Graças ao Lucas.
O olhar dela se volta para Lucas, parado perto da porta, com os braços cruzados. Ele observa tudo em silêncio, mas o maxilar permanece tenso.
— Obrigada — Tiffany diz, com a voz embargada. — Obrigada por… por salvar a minha amiga.
Lucas apenas assente, desviando o olhar para mim.
Sophia aparece logo depois, mais devagar. Ela hesita na entrada, com as mãos entrelaçadas à frente do corpo.
— Ivy… — começa, com a voz baixa. — Sinto muito. Eu deveria ter ficado de olho em você. Deveria ter ido com você ao banheiro, ou pelo menos ter percebido que você não estava bem, mas eu bebi demais e…
— Sophia — interrompo, balançando a cabeça. — Não se culpe, por favor.
Ela morde o lábio, claramente não convencida, mas acaba assentindo e se aproxima da cama.
Owen entra por último, fechando a porta enquanto me encara, sério.
— Como você está? — pergunta, preocupado.
— Como se um trem tivesse passado por cima de mim — respondo, sincera. — Três vezes.
Ele assente e se aproxima.
— Ivy, você se lembra de alguma coisa? — pergunta, direto. — Qualquer detalhe pode ajudar.
— A Ivy está cansada — Lucas intervém imediatamente. — Vamos deixar isso para depois.
— Lucas, precisamos saber o que aconteceu — Owen rebate, encarando o amigo. — Porque, pelo que aquele homem disse até agora, ele não teve nada a ver com a droga. E, te garanto, ele teve bastante… incentivo para contar tudo.
Meu estômago embrulha de novo, mas respiro fundo.
— Está tudo bem — digo, olhando para Lucas. — Eu quero ajudar.
Ela olha para mim, depois volta o olhar para Lucas, franzindo ainda mais as sobrancelhas.
— Tá — começa, devagar, como quem encaixa peças. — A situação foi péssima. Horrível. Mas… o que exatamente eu estou perdendo aqui?
— Sophia, eu só estou pensando na… — Lucas tenta dizer, mas ela levanta a mão, interrompendo-o.
— Lucas, isso já passou do profissional — insiste, arqueando a sobrancelha. — Você está agindo como se a Ivy não fosse só sua funcionária.
Lucas passa a mão pelos cabelos e solta um suspiro pesado. Owen e Tiffany trocam um olhar rápido, e eu me pergunto quem vai falar primeiro.
Não serei eu. Definitivamente não.
— Ivy e eu estamos juntos — Lucas diz, enfim, sem desviar os olhos dela.
Sophia pisca algumas vezes, claramente surpresa. Owen se recosta na parede, sem parecer nem um pouco chocado. Tiffany morde o lábio, tentando esconder um sorriso.
Eu, por outro lado, sinto um frio percorrer a espinha.
Porque, pelo que vi até hoje, Sophia e Blair parecem próximas demais. E tudo o que consigo pensar é: e se ela contar?
Meu estômago revira outra vez e, dessa vez, não tem nada a ver com a droga.
Meus pensamentos são interrompidos por uma risada curta. Incrédula.
— Claro que estão — murmura, mais para si mesma. — Eu sou uma idiota, né? Os sinais estavam bem na minha cara o tempo todo… e eu simplesmente ignorei.

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