Assim que entramos em casa, a Sra. Mallory aparece no hall. O rosto dela, normalmente sério e controlado, está visivelmente preocupado.
— Meu Deus, Oliver! — exclama assim que nos vê, se aproximando rapidamente. — Como você está, querido?
— Quebrei o braço, Sra. Mallory! — Oliver responde, erguendo o braço enfaixado com orgulho. — Mas meu gesso é muito legal, né?
Ela assente, sorrindo, e acaricia o cabelo dele com carinho.
— Que bom que está bem — murmura, antes de olhar para mim e para Lucas. — Precisam de alguma coisa? Chá? Jantar?
— Talvez depois — Lucas responde, pegando Oliver no colo com cuidado. — Primeiro, vou levá-lo para o quarto. Ele precisa descansar.
A governanta assente novamente e se afasta, enquanto Lucas e eu subimos as escadas.
Quando chegamos ao quarto de Oliver, Lucas o coloca na cama com cuidado, ajeitando os travesseiros ao redor dele.
— Precisa de alguma coisa, campeão? — pergunta, baixo.
— Eu quero dormir, papai — Oliver murmura, já fechando os olhos.
Lucas sorri, beija a testa dele e se afasta devagar.
— Se quiser, pode ir — digo, baixinho. — Fico de olho nele e, se precisar, te chamo.
— Você não precisa se preocupar com isso, Ivy — ele responde, se aproximando um pouco. — Vou ficar com ele. Quero tentar compensar os dias em que estive longe.
Mordo o lábio, pensativa.
Faz sentido. Lucas passou mais de uma semana fora, fugindo. É claro que quer ficar perto do filho agora.
Assinto, já me afastando. Mas, antes de sair, uma ideia surge na mente.
— Lucas, tem problema se… — começo, hesitante. — Se eu aproveitar esse tempo livre e passar a noite fora?
Ele franze as sobrancelhas, me encarando.
— Não vou me encontrar com o Eric — me apresso em esclarecer, antes que ele pense besteira. — Só preciso de um tempo longe. Acho que todos precisam… digerir esse dia.
Lucas fica em silêncio por um momento, só me encarando sério demais.
— Onde você pensa em ir? — pergunta, finalmente.
— Para a casa da minha amiga, no Brooklyn.
— Já te disse que não gosto da ideia de você ir até lá à noite sozinha — diz, pensativo. — Você vai com o motorista.
Assinto, resignada. Poderia discutir? Sim. Poderia deixar claro que não preciso da preocupação dele? Também.
Mas, honestamente… estou cansada demais para brigar.
— Tudo bem — concordo, simplesmente. — Sem problema nenhum.
Me viro para sair, mas a voz dele me para assim que toco a maçaneta.
— Tome cuidado — diz, baixo, quando me viro para encará-lo. — E amanhã, volte no horário certo.
— Estarei aqui. Com licença.
Aceno com a cabeça e saio rapidamente. Lucas e eu sozinhos no mesmo ambiente… dificilmente isso dá certo.
Entro no meu quarto e sigo direto para o banheiro.
O cheiro de hospital ainda está grudado na minha pele, na minha roupa, e tudo o que quero é um banho quente para me livrar disso.
Tiro a roupa e entro no box, deixando a água quente cair sobre mim. Fecho os olhos, sentindo o cansaço me atingir de uma vez.
Estou exausta.
Exausta de tentar entender Lucas, de lutar contra o que sinto. Exausta de carregar tudo sozinha.
Minha mãe. Liam. A dívida. Lucas. Blair. Oliver.
Concordo com a cabeça, mantendo o olhar fixo na janela.
— Sabe, sempre achei estranho o Sr. Sinclair contratar alguém tão jovem — continua, aparentemente pouco se importando com o meu silêncio. — Mas agora que te conheço… entendo perfeitamente.
Aperto a alça da bolsa, desconfortável.
— Quanto tempo ainda? — pergunto, mudando de assunto.
— Uns quinze minutos — responde, soltando uma risadinha. — Com pressa para chegar?
— Sim, estou cansada. Foi um dia cheio.
— Imagino. Com o acidente, o hospital… a Sra. Sinclair ficando furiosa…
Fecho os olhos e respiro fundo.
Finge demência, Ivy. Só finge demência.
— Se precisar desabafar, estou aqui — continua, olhando pelo retrovisor mais uma vez. — Sei guardar segredos.
— Obrigada, mas estou bem — respondo, firme.
O resto da viagem segue em silêncio, graças a Deus.
Quando finalmente paramos em frente ao prédio da Tiffany, saio do carro antes mesmo de ele desligar o motor.
— Obrigada — digo, rápido, fechando a porta.
Não espero resposta, só dou a volta no carro e entro direto no prédio.
Subo até o apartamento e mal tenho tempo de bater antes que Tiffany abra a porta de uma vez, me puxando para dentro.
Antes que eu possa dizer qualquer coisa, ela me arrasta até o sofá e se j**a ao meu lado.
— Desembucha — dispara, animada demais para esse horário. — Fala logo o que eu perdi até você parar nos braços do nosso chefe.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO