“Lucas Sinclair”
Fico parado, olhando para ela, enquanto processo cada palavra que acabou de sair da boca de Ivy.
Um irmão de cinco anos. Desaparecido.
Uma promessa feita no leito de morte da mãe.
Porra.
Eu não esperava isso.
Sabia da dívida, da casa prestes a ser perdida, tanto que foi justamente por isso que decidi aumentar o salário dela.
Mas nunca imaginei que a parte que ignorei, o irmão mais novo, fosse o verdadeiro motivo. Nunca esperei que alguém tão nova carregasse esse tipo de peso.
— Ivy… — começo, notando o silêncio dela.
Ela se vira, limpando o rosto rapidamente com as costas da mão, como se pudesse apagar o que acabou de revelar.
— Esquece — diz, forçando um sorriso que não chega nem perto dos olhos. — Não devia ter falado nada. Não é problema seu.
— Não é — concordo, porque é a verdade. — Mas agora que eu sei…
Paro, passando a mão pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos.
Porque o que eu deveria fazer agora?
Oferecer ajuda? Jurar que vou encontrar o irmão dela? Prometer algo que talvez eu não consiga cumprir?
Não.
Já fiz promessas demais na vida. E a maioria delas… bem, não terminou bem.
Ivy não merece mais uma promessa quebrada.
— Agora que sabe o quê? — ela pergunta, cruzando os braços, como se estivesse se protegendo.
— Agora que sei, vejo que você não precisa de mais problemas na sua vida — respondo, sincero. — E eu… sou exatamente isso, Ivy. Um problema. Um problema que só vai atrapalhar tudo.
— Não é você quem decide o que me atrapalha ou não.
— Ivy…
— Não — ela me interrompe, dando um passo na minha direção. — Você não vai fazer isso. Não vai me ouvir, perceber que minha vida é uma bagunça e decidir que sou frágil demais para lidar com você também.
— Eu não disse que você é frágil — respondo, mantendo a voz firme. — Estou dizendo que você não precisa de mais complicações. Que eu não quero ser mais um peso na sua vida.
— E quem disse que você seria?
Balanço a cabeça, exausto.
— Ivy, eu sou casado. Tenho um filho. Tenho uma empresa para administrar, uma reputação para manter, uma família inteira de olho em cada movimento que faço. Você acha mesmo que isso não vai respingar em você? Que não vai complicar ainda mais a sua vida?
Ela fica em silêncio por um momento, apenas me encarando.
Quando abro os olhos, Ivy ainda está me encarando, respirando pesado. Ficamos assim por alguns segundos, com tudo dito… e nada resolvido.
— Então, o que você pretende fazer agora? — pergunta, arqueando as sobrancelhas. — Vai voltar a me tratar como só mais uma funcionária? Fingir que nada disso aconteceu?
— Vou tentar — respondo, sincero. — Pelos dois. Porque, se a gente continuar assim… alguém vai se machucar. E, provavelmente, vai ser você.
Ela balança a cabeça, decepcionada, e se vira em direção à porta.
— Se é isso que você quer, que seja — murmura, já com a mão na maçaneta. — Só não venha me procurar de novo, Lucas. Porque, da próxima vez… eu não vou estar disponível.
Ivy abre a porta e sai, fechando atrás de si com um clique suave que ecoa alto demais na minha cabeça.
Porque, mesmo sabendo que tomei a decisão certa, tudo o que consigo pensar é em correr atrás dela, puxá-la de volta e dizer que mudei de ideia.
Mas não faço.
Não posso.
A única coisa que posso fazer agora…
Puxo o celular do bolso e disco o número de Owen. Ele atende no segundo toque.
— Lucas, você sabe que horas…
— Preciso que você faça uma coisa para mim — corto, me jogando na cadeira. — E isso precisa ficar entre nós dois, ouviu? Se vazar, você está fora.

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