Depois do café, todos vão para a sala de estar, onde uma árvore de Natal gigantesca domina o ambiente.
Embaixo dela, dezenas de presentes perfeitamente embrulhados ocupam boa parte do chão.
Oliver corre até a árvore e começa a vasculhar os pacotes, lendo os nomes em voz alta, completamente empolgado.
— Esse é da tia Sophia… esse é do vovô… ESSE É MEU!
Ele rasga o papel rapidamente e, em poucos minutos, já está cercado de brinquedos novos: Legos, um telescópio infantil, roupas de astronauta…
Observo de longe, sorrindo. É impossível não sorrir quando Oliver está feliz assim.
— Ivy! — Ele me chama de repente, correndo até mim com uma caixa pequena nas mãos. — Esse é pra você!
Franzo a testa, surpresa.
— Pra mim?
— É! — insiste, empurrando a caixa contra meu peito. — Abre!
Olho para o embrulho em papel prata, completamente sem jeito. Agora todos estão me observando.
— Oliver, você não precisava…
— ABRE LOGO!
Suspiro, vencida, e rasgo o papel com cuidado, encontrando uma caixinha de veludo. Abro devagar… e encontro um colar delicado, com um pingente de foguete dourado.
Meu sorriso vem antes das palavras. E, logo depois, a emoção.
— Que lindo, Oliver…
— Eu pedi pro Papai Noel, na minha cartinha! — ele exclama, orgulhoso. — Porque você gosta de foguetes. Igual a mim!
Levanto o olhar para Lucas. Ele observa a cena em silêncio, com um sorriso tranquilo no rosto. Calmo demais para alguém que não teve nada a ver com isso.
Será que foi ele quem comprou?
— Obrigada, Oliver — digo finalmente, me abaixando para abraçá-lo com cuidado. — Eu amei. Vou usar sempre.
Ele sorri, satisfeito, e volta correndo para perto da árvore, em busca do próximo presente.
Me levanto devagar e volto a olhar para o colar em minha mão. Sinto as lágrimas arderem nos olhos, não pela joia em si, mas pelo gesto.
Oliver, a criança que conseguiu expulsar todas as babás, se importou o suficiente para pedir ao Papai Noel um presente para mim.
E, pela primeira vez em semanas…
Eu realmente me sinto importante para alguém.
Depois que a empolgação dos presentes passa e a sala começa a esvaziar, Helen surge ao meu lado.
— Ivy, a gente vai dar uma volta no lago — ela diz, sorrindo. — Quer vir?
— Eu… não sei se…
— Vem — Sophia insiste, já pegando o casaco. — Vai ser divertido. E você precisa conhecer o lago. Ele fica lindo no inverno.
— Ouvi alguém falar em lago? — Eric pergunta, surgindo do nada com um sorriso charmoso. — Estou dentro.
Hesito por alguns segundos, mas acabo cedendo.
— Tá bom. Vou só pegar meu casaco.
[…]
O lago fica nos fundos da casa, cercado por árvores cobertas de neve. Está completamente congelado, refletindo o céu nublado como um espelho imperfeito.
É realmente bonito.
— Cuidado — Eric avisa, segurando meu braço quando escorrego levemente ao pisar numa pedra para sentar no banco de madeira perto da margem. — Se cair aí, só em março alguém te acha.
— Só sendo humano — ele responde, com um sorriso fácil.
Retribuo o sorriso, mas quando me viro em direção à casa, meu olhar encontra, à distância, a silhueta de Lucas parada na varanda de um dos quartos.
Ele está observando, mas não parece irritado. Só… atento demais.
E, por algum motivo, isso me dá mais arrepios do que qualquer vento de inverno.
Alguns minutos depois, quando o frio começa a ficar insuportável demais, decidimos voltar.
Entro pela porta dos fundos, tirando o casaco coberto de neve, e sigo pelo corredor em direção às escadas.
É quando vejo Lucas saindo do quarto de onde nos observava há pouco.
— A conversa com meu primo estava boa? — ele pergunta, quando me aproximo.
— Estava — respondo, sem entender por que meu estômago dá aquela volta conhecida. — O Eric é legal.
— É — ele concorda, mas noto a mandíbula tensa. — Me avise se ele estiver sendo… legal demais.
Franzo a testa.
— Por quê?
— Porque não quero ser obrigado a ter uma conversa sobre limites profissionais.
— Limites profissionais? — repito, levantando a sobrancelha. — Tipo os que você respeita tão bem?
Os olhos dele escurecem no mesmo instante.
— Cuidado, Ivy.
— Com o quê? Com a verdade? — Provoco, consciente de que estou cutucando a fera. — Afinal… por que você se importa se o Eric está sendo gentil comigo?

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