ADRIANO
Jana estava exatamente onde eu tinha pedido. Quando me viu se aproximar, levantou num salto.
— Encontrou ela? — perguntou, antes mesmo de eu abrir a boca.
Balancei a cabeça em negativa. O rosto dela se desfez.
— Adriano… — a voz dela saiu quebrada. — E agora?
Respirei fundo, tentando organizar o caos dentro de mim.
— Agora a gente vai às gravações — respondi. — Essa festa tem câmera em tudo quanto é canto. Entrada, saída, palco, estacionamento. Se alguém a levou, ficou registrado.
Ramos concordou imediatamente e falou algo no rádio. Poucos minutos depois, estávamos caminhando rápido em direção à sala improvisada onde ficavam os monitores de segurança: um contêiner adaptado, com ar-condicionado forte demais e cheiro de equipamento elétrico.
O responsável pelas gravações nos recebeu assustado com a minha expressão. Não precisei me apresentar. Meu nome ali abria portas.
— Preciso ver as imagens de hoje — disse. — Principalmente atrás do palco e no estacionamento.
Ele puxou uma cadeira.
— Pode sentar.
Não sentei. Fiquei de pé, braços cruzados, enquanto ele avançava as imagens. Jana estava ao meu lado, as mãos apertadas uma na outra, como se estivesse rezando em silêncio.
As cenas começaram comuns demais: gente andando e rindo passando com copos na mão. Marja não aparecia de imediato, e cada segundo sem vê-la fazia meu estômago revirar.
— Volta um pouco — pedi, impaciente.
Ele voltou. Então eu vi.
Meu corpo inteiro ficou rígido no instante em que a reconheci. Marja surgia na imagem caminhando sozinha, exatamente como Jana tinha descrito, seguindo em direção à lateral do palco. Ela parecia distraída, olhando ao redor.
— É ela — Jana sussurrou, levando a mão à boca.
No canto da imagem, uma figura apareceu. Um homem de capuz escuro, andando rápido demais. Em segundos, ele estava perto dela.
— Meu Deus… — Jana murmurou.
— Mostra para onde ele foi.
O operador avançou a gravação. O furgão saiu do estacionamento, passou pela saída lateral da festa e seguiu pela estrada de terra que dava acesso à via principal.
— Dá pra ver a placa? — perguntei.
— Infelizmente não — ele respondeu. — Está muito escuro, e o ângulo não ajuda.
Não importava. Eu já sabia o suficiente.
— Ele seguiu para a BR — disse Ramos, observando o mapa na tela. — Essa é a saída que liga direto à capital.
Jana levou as mãos ao rosto e começou a chorar de verdade agora, sem tentar esconder.
Por dentro, eu sentia uma urgência quase insuportável. Cada minuto que passava era um minuto a mais de vantagem para ele. E eu conhecia homens como Gino. Sabia do que eram capazes.
— Ramos — falei, virando-me para o segurança. — Chama a polícia agora. Passa todas as informações. E providencia alguém para ficar com a Jana.
Ele obedeceu, já falando no rádio.

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