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A AMIGA DA MINHA FILHA romance Capítulo 49

SOFIA

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Eu nunca fui de fazer gastos exorbitantes, a condição financeira que o meu pai me proporcionava não fazia de mim alguém fútil como a minha mãe era, eu já nem sabia quanto eu tinha na minha conta, o fato era que todos os meses o meu pai me dava uma mesada altíssima, a única coisa que ele pedia era pra eu não manchar o nome da nossa família, era só com isso que ele se importava.

Eu nunca fui de frequentar as melhores lojas, ir aos melhores salões, eu comprava o que eu gostava, independente do lugar, podia ser até em uma banquinha de feira, mas eu não tinha ideia que um dia eu iria agradecer tanto por ter economizado.

Depois do aniversário da Valentina, eu chorei descontroladamente, e pela primeira vez na vida a minha mãe foi ver o que tinha acontecido, mas eu não queria desabafar com alguém que só lembrava que tinha filha quando convinha.

Eu prometi pra mim mesma que eu não iria me entregar a dor que eu estava sentindo, eu prometi pra mim mesma que eu iria começar a agir com maturidade e aceitar que nem sempre as coisas poderiam ser como eu gostaria.

Eu chorei o que eu precisava chorar, gritei o que eu precisava gritar, e no dia seguinte eu levantei, eu estava decidida a não ir atrás de nada e nem de ninguém, a única coisa que eu precisava era recuperar a minha saúde mental, pois eu estava doente, o que um amor não correspondido faz na vida de uma pessoa é catastrófico, eu estava doente de amor.

Eu comecei a alimentar isso dentro de mim, comecei a alimentar que o Kalel não me amava e que eu realmente era o que a Valentina havia falado, eu era uma comidinha, o que fazia todo o sentido, ele sempre estava fugindo, ele sempre estava encontrando desculpas pra não ter nada comigo, e o fato dele ter ido atrás da Fernanda foi o suficiente pra eu reconhecer que eu não era exatamente nada pra ele.

Pela manhã eu estava um lixo, ainda estava vestida com a roupa que fui pro aniversário e a minha maquiagem estava toda borrada, eu fui tomar um banho antes de falar pros meus pais o que eu pretendia fazer.

Depois do banho eu peguei a minha mala, coloquei tudo o que eu iria precisar, separei o meu passaporte, meus documentos e deixei tudo organizado pra minha viagem.

Eu fui pra cozinha antes do meu pai sair pra trabalhar, e ele e minha mãe estavam conversando sobre algo relacionado a adoção.

— Bom dia.

Falei.

Pai: Bom dia Sofia, sua mãe me disse que ontem você estava enlouquecendo no seu quarto, que bicho te mordeu?

Era inacreditável a falta de compaixão que o meu pai transmitia.

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