Eu com toda certeza estava no inferno!
Marlon: Olha só, um indigente.
Eu olhei pra Valentina buscando uma explicação pra tamanha falta de noção.
— Você ligou pra ele?
Valentina: Liguei, ele é meu tio, qual o problema?
— O problema é que ele não é bem vindo aqui. Gritei.
Valentina: Ele é sim, não é porquê eu não tenho avós, que não tenho mãe, que vou fingir que também não tenho tio, a casa é minha e ele é bem vindo.
Marlon: Você não muda nunca, não é Kalel, continua sendo o mesmo imbecil de sempre.
Eu avancei em cima dele e o peguei pela camisa disposto a esmurrá-lo, mas me contive ao ouvir os gritos da Valentina.
Valentina: Larga ele por favor papai, ele é a minha família.
— A sua família sou eu, sempre foi só nós dois, esse cara repugnante não merece nem ser chamado de tio, e essa fedelha cara de pau, é da sua família também?
Perguntei pra Valentina me referindo a Sofia.
Valentina: Você disse que eu podia fazer o que eu quisesse, então estou fazendo, o tio Marlon vai ficar com a gente até o meu aniversário, e a entrada da Sofia continua liberada aqui nessa casa.
— Então vamos deixar algo bem claro aqui, no dia seguinte ao seu aniversário, você irá cuidar da sua própria vida, eu vou embora daqui.
Eu saí da cozinha e fui pro meu escritório, me sentindo um verdadeiro fracasso, eu não estava tendo autonomia dentro da minha própria casa.
O Marlon sempre teve problemas com a bebida, os pais da minha esposa sofreram um acidente e morreram por culpa dele, era ele quem estava no volante no fatídico dia, eu e a minha esposa estávamos no início do nosso namoro e ela ficou destruída, ela nunca foi capaz de perdoar o irmão dela, nem mesmo no leito de morte dela, durante anos ele chegou nessa casa bêbado, gritando e fazendo confusão, sempre foi um grande problema pra nós, e quando foi pra partilhar os bens, ele ficou louco quando soube que a minha esposa (Na época namorada)ficaria com a casa.
Depois que a Valentina nasceu, ele tentou se redimir, buscou um tratamento pois queria fazer parte da vida dela, mas a minha esposa nunca permitiu que ele se aproximasse, e quando ela morreu, eu fiquei encarregado de continuar o mantendo distante.
Quando a Valentina fez 14 anos, ele apareceu em nossa casa e os dois conversaram, eu só fiquei sabendo disso quando cheguei do trabalho, e eu fiz ela prometer que jamais iria se aproximar dele de novo, mas ele ligava pra ela sempre, e eu nunca mais consegui cortar esse contato, mas recebê-lo na nossa casa, como se ele não representasse nenhum risco, era demais pra mim, isso eu não iria suportar.
— Eu queria me livrar de um problema, agora tenho dois.
Falei enquanto andava de um lado pro outro no escritório.
Alguns minutos depois alguém bateu na porta, e eu imaginei que era a Valentina, assim que eu abri, dei de cara com a praga da Sofia.
— Ah não, some da minha frente que eu não estou suportando olhar pra sua cara.
Eu tentei fechar a porta na cara dela mais ela foi mais rápida do que eu e entrou no meu escritório.
Eu a encarei com fúria porém fui traído por mim mesmo quando me peguei olhando pro decote dela.
Sofia: Você nem consegue disfarçar.
Eu olhei pra fora do escritório pra verificar se ninguém estava se aproximando, mas tudo estava em silêncio.

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