SOFIA
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Uma madrugada quase inteira é um período muito longo pra pensar, é diferente de quando você recebe um conselho e você só pensa no assunto no momento que você o ouve, e em meio as lágrimas e ao grande sentimento de revolta, eu pensei.
Seria bem mais fácil se o amor fosse algo que tivesse um custo em dinheiro, algo que a gente pagasse pra ter e pagasse pra se livrar, evitaria sofrimentos desnecessários, dores de cabeça e assuntos inacabados.
Qualquer pai ou mãe diria que eu sou nova, e que eu teria uma vida inteira pela frente pra encontrar o cara certo, diriam também que a dor era passageira, que tudo na vida passa, sejam coisas boas ou ruins, mas os meus pais diriam que eu sou burra por me apegar a alguém que não vale a prada que eu uso, tudo o que sei sobre a vida, eu aprendi nos livros de auto ajuda, e tudo não passava de palavras.
Eu não queria esperar pelo tempo, pela hora certa, nem esperar que o destino trouxesse o cara perfeito pra mim, eu queria ter o direito de escolha, queria que o Kalel fosse como uma mercadoria, que eu olho, gosto e compro.
Qualquer pessoa me perguntaria que doença era essa minha que ainda iria querer o cara depois de ter sido enforcada por ele, embora eu saiba o nome dessa doença, não consigo falar o nome, mas ela existe, e foi ela que me fez pensar nos próximos passos.
O dia amanheceu, e os meus olhos estavam ardendo, e o meu rosto estava inchado de tanto que eu chorei, o meu celular começou a tocar, e quando eu olhei pra tela eu vi que era a Valentina, eu já sabia exatamente o que falar, eu já sabia a forma certa de virar o jogo ao meu favor.
— Oi, Valentina.
A minha voz saiu abafada, eu quase não tive forças pra falar, e apesar de eu ter um plano, eu estava me sentindo fraca e cansada.
Valentina: Olha, eu sempre soube que os machos de hoje em dia quando querem somente sexo com a garota, eles somem no dia seguinte, mas você é minha melhor amiga, e independente do que aconteceu ontem, você não deveria fugir de mim, isso é ridículo.
Ela estava muito brava e com razão, eu no lugar dela pensaria a mesma coisa.
— Eu não estou fugindo de você.
Valentina: Ah não? Então me conta o que aconteceu porquê eu não estou entendendo, e essa voz? Parece que passou a noite chorando, e se foi de arrependimento me fala agora.
— O seu pai não me quer aí Valentina.
Valentina: Que história é essa? Esse assunto já foi resolvido.
— Eu também pensei que tivesse sido.
Valentina: Espera, me explica direito, o meu pai falou alguma coisa com você, foi isso?
— Esquece isso,vamos continuar sendo amigas, nós vamos continuar nos vendo nos treinos, poderemos sair as vezes, mas eu não volto mais aí.
Valentina: Me fala agora o que ele fez, Sofia.
— Não é preciso, eu não quero que você e seu pai discutam por minha causa, eu vou desligar agora, depois conversamos melhor.
Valentina: Não desliga, por favor.
— Desculpa Valentina, mas eu não quero conversar agora, se cuida.
Eu desliguei na cara dela, e eu tive a plena convicção de que eu havia conseguido plantar a sementinha da discórdia.
Ela me ligou várias vezes na tentativa de fazer eu atendê-la novamente, me mandou várias mensagens, mas eu ignorei tudo.
Eu botei o celular do lado da minha cama e dormi a manhã inteira, acordei era quase meio dia.

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