KALEL
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Quando eu era pequeno o meu pai sempre dizia que a raiva de um homem precisava ser posto pra fora, pois quando essa raiva ficava presa dentro da gente, ela ia se acumulando, e quando a raiva acumulada saísse, as consequências sempre eram catastróficas.
Pra um homem pensar em matar uma pessoa como eu estava pensando em matar a Sofia, significava que eu já estava no meu limite, prestes a tornar a catástrofe real.
Eu levantei da escada e caminhei em silêncio até o outro lado do jardim, onde havia uma casa de hóspedes, já fazia anos que eu não entrava nela, mas a casa estava limpa, pois a minha funcionária a limpava toda semana, eu entrei na casa, tirei o meu tênis e deitei no sofá, eu fiquei encarando o teto, esperando o tempo passar até eu ter certeza que a Valentina estava dormindo e eu poder arrastar a Sofia até a casa de hóspedes e dar uma lição nela pra ela nunca mais esquecer na vida dela, ela teria que escolher entre ser somente castigada ou morta.
Eu nunca fui um homem violento, nunca agredi ninguém, nunca resolvi nenhuma situação difícil a base da ameaça, mas não existia outra forma de colocar a Sofia em seu devido lugar.
— Ela foi longe demais!
Falei pra mim mesmo, enquanto tentava arrancar da minha mente os gemidos das duas.
Duas horas se passaram, eu me levantei e caminhei de volta pra minha casa, tudo estava silencioso, eu tirei o celular do bolso e mandei uma mensagem pra Sofia.
— Estou aqui em baixo esperando você, desça agora!
Eu fiquei no início da escada esperando ela descer, até que ela apareceu no topo da escada e ficou me encarando, usando apenas uma calcinha e com os peitos completamente descobertos.
Eu confesso que estremeci na base e por muito pouco eu esqueci do que eu precisa fazer.
Ela foi descendo lentamente, degrau por degrau, e ela parecia decidida a me desestabilizar.
Tudo dentro de mim estava uma verdadeira confusão, a razão e a emoção estavam em guerra dentro de mim, e o corpo da Sofia estava sugando de mim o resto de controle que eu tinha.
Ela ficou um degrau acima de onde eu estava, e por mais que ela fosse bem mais baixa do que eu, o rosto dela ficou de frente pro meu, nós ficamos nos encarando, e bastou ela dar um sorrisinho debochado de leve pra eu lembrar do ódio que existia em mim.
Eu peguei ela pelos cabelos, e ela se assustou, mas em vez dela parar de rir, ela riu ainda mais, um sorriso baixo, mas era suficiente pra me deixar fora de mim.
Eu saí puxando ela até a área externa da casa, e fomos caminhando pelo jardim.
Sofia: Puxa mais Tio Kalel, eu adoro quem puxa o meu cabelo enquanto me come, falta só você me comer.
— Cala a boca sua desgraçada, eu quero ver se esse sorrisinho ainda vai existir depois do que eu vou fazer com você.

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