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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 70

Carlos encarou Augusto e, num tom sério, lhe entregou a ordem final, fingindo que só tinha decidido transformar a coletiva num grande evento por culpa da ousadia de Margarida. Mas, na verdade, aquilo sempre foi parte do seu plano. Ele queria usar a rebeldia da enteada como desculpa para justificar o espetáculo e jogar sobre ela o peso de qualquer excesso.

Augusto permaneceu sentado ao lado do pai, depois de um tempo acenou com indiferente. Atrás das lentes douradas de seus óculos, porém, o olhar carregava tanta escuridão e ressentimento que nem mesmo a frieza habitual conseguia esconder.

...

Quando anoiteceu, um vento cortante atravessou a cidade.

Na manhã seguinte, Augusto já estava o mais rápido possível, demonstrando sua eficiência habitual ao organizar todos os detalhes da coletiva em que Margarida deveria assumir, diante de todos, a "culpa" por tudo.

Enquanto isso, em outro lado, Leonor passava por um inferno, pois desde que o escândalo do desvio de dinheiro veio à tona, com a revelação de um segredo do passado por Guilherme, ela e Marina mal conseguiam respirar em meio ao caos que virou a família Almeida. Surpreendentemente, Augusto logo achou uma solução e decidiu usar Margarida como bode expiatório para restaurar a imagem de Leonor.

Bastou essa notícia para o humor de Leonor mudar completamente; quase não via a hora da coletiva chegar, animadíssima com a ideia de rebaixar Margarida e, quem sabe, dar o troco em Vicente.

Só que a felicidade durou pouco, logo ela percebeu que Augusto desaparecia de vista, com a desculpa de estar sempre ocupado, envolvido nos preparativos do evento. E, por mais que tentasse, ele sempre escapava antes que pudesse alcançá-lo.

Impaciente, Leonor contratou um detetive para vigiar Augusto e, finalmente, conseguiu localizá-lo, mas acabou o encontrando no hospital.

Augusto tinha sido internado às pressas devido a uma hemorragia no estômago.

Ao entrar no quarto, Leonor deu de cara com Augusto desacordado, o rosto pálido e abatido, os traços sempre gentis, agora mais magros, e as pálpebras avermelhadas de dor, sem os óculos para suavizar sua expressão.

— Leonor, você está entendendo tudo errado. Eu não estava fugindo de você, olha só minha situação, estou até no hospital. Esses dias, fiquei correndo atrás de um lugar para a coletiva, sem tempo para nada.

— E então, por que você chamou a Margarida no sonho? — Leonor suavizou o tom, mas não deixou de pressionar. — Eu ouvi perfeitamente você falando o nome dela! Ainda sente algo por ela? Se não sente, por que não chamou meu nome?

Augusto levou a mão ao estômago, respirou fundo e respondeu com ainda mais leveza:

— Leonor, isso tudo foi só um sonho, como você mesma disse. Será que não ouviu errado? Porque, sinceramente, não tenho mais lugar para Margarida no meu coração. Se tivesse, acha mesmo que eu estaria organizando essa coletiva só por você? Leonor, tudo o que estou fazendo é pensando em você. Ainda duvida que seja só você que amo?

Naquele instante, até a teimosa Leonor precisou admitir que fazia sentido. Sim, se Augusto ainda amasse Margarida, jamais teria ido tão longe para protegê-la nem teria machucado a Margarida. E, sobretudo, ela era a herdeira da família Almeida; não fazia sentido Augusto escolher alguém como Margarida.

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