Em vez de ficar em casa viajando na maionese, Margarida achou melhor ir até o local da exposição e se jogar no trabalho para ocupar a cabeça.
Após pegar emprestado com Laura um dos carros que estava encostado na garagem sem uso, Margarida saiu de casa rumo ao destino que Teresa havia mandado.
Durante o trajeto, ela dirigia pensando que precisava arranjar um tempo para contar a Vicente sobre sua identidade secreta no mundo da escultura.
A exposição de arte ia rolar ainda naquele mês, e a bomba da sua revelação estava prestes a explodir. Já que ela e Vicente haviam combinado de jogar limpo e confiar um no outro, era melhor soltar a informação antes que ele levasse um susto na hora da verdade.
Vicente jamais reagiria que nem Augusto ou Leonor, muito menos ia torcer o nariz para seu trabalho.
Um carro laranja apareceu de repente que nem um raio por trás e parou na bucha bem na frente de Margarida, bloqueando toda a pista de jeito nada amigável.
Margarida arregalou os olhos, buzinou que nem louca enquanto pisava fundo no freio, rezando para não virar sanduíche de lata.
Por sorte, mesmo sendo a primeira vez que pegava aquele carro da garagem, a máquina respondeu que foi uma beleza, conseguindo parar antes de transformar a situação numa tragédia de ferragem amassada.
Mesmo assim, Margarida ficou com o coração batendo que nem tambor de escola de samba e o corpo todo gelado de susto.
Aquilo estava rolando em plena rua, e mesmo com o trânsito mais morno naquele horário, o carro laranja havia parado ela de propósito, e essa história não estava cheirando nada bem.
Como era de se esperar, a porta do carro laranja se escancarou e Leonor pulou para fora seguida de Augusto, os dois vindo na direção dela numa briga de empurra-empurra que mais parecia briga de casal.
Parecia que os dois não conseguiam respirar direito sem primeiro inventar alguma maldade para ferrar com a vida dela.
Dessa vez, Leonor não estava de brincadeira. Segurava o rosto vermelho onde a porta havia estampado, com os cabelos meio arrepiados de tanta raiva acumulada, e gritou que nem uma possessa:
— Margarida, a pirada aqui é você! Você que quer bancar a santinha! Eu vim aqui para acertar as contas direito com você! Você já está casada, por que fica se encontrando escondido com o Augusto pelas minhas costas? Ainda bem que o Vicente botou a cara por você lá na família Almeida e me obrigou a engolir as palavras, e é assim que você paga, fazendo ele de otário e enfiando galha na cabeça dele?
Leonor tirou umas fotos de dentro da bolsa e tentou esfregar na cara de Margarida, copiando o que ela havia feito antes.
Margarida levantou a mão e pegou as fotos no ar sem nem suar. Após dar uma olhada no que mostrava nas imagens, Margarida engoliu seco e fechou os olhos, já sentindo aquela dor de cabeça familiar começando a pulsar.

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