O tempo escorregou sem que ninguém percebesse, e a noite tomou conta do céu lá fora, engolindo até a lua numa escuridão pesada.
O conflito entre as famílias Almeida e Carvalho chegou ao fim quando Carlos mostrou sinceridade de verdade ao trazer Luísa para pedir desculpas pessoalmente, fazendo Vicente ceder depois de alguns sussurros convincentes de Margarida.
As duas empresas jamais voltariam a trabalhar juntas, mas pelo menos o Grupo Almeida pararia de atravancar os negócios do Grupo Carvalho.
Margarida fazia isso não por ter coração mole. Na verdade, ela sabia que bloquear as parcerias do Grupo Carvalho ia dar muito trabalho para o Grupo Almeida, e sem garantia nenhuma de que daria certo fácil.
Já que tinha conseguido de volta seu dote e embolsado a compensação do Carlos, ela preferiu que Vicente não juntasse problema em cima de problema só por causa dela.
Depois que fecharam aquele acordo, Vicente relaxou visivelmente, enquanto Margarida guardou finalmente com o coração em paz os bens que seu pai havia deixado de herança. Sem pesadelos bagunçando seu sono, ela podia focar totalmente em curar a mão machucada.
Uma semana se passou, Margarida sarou completamente e estava pronta para voltar à ativa.
No dia em que Teresa soube da novidade, ficou tão eufórica que encheu Margarida de fotos de um castelo medieval, gritando de alegria que havia alugado o lugar inteiro para fazer a exposição que marcaria a volta triunfal de Margarida ao mundo das artes.
Margarida quase caiu da cadeira.
Teresa já havia comentado várias vezes que queria transformar aquela exposição numa coisa grandiosa e inesquecível, mas só vendo as fotos Margarida percebeu que a amiga não estava exagerando nem um pouquinho, muito pelo contrário, havia sido até modesta demais.
— Você alugou um castelo inteiro só para minha exposição! Teresa, minhas obras precisam mesmo de um negócio desse tamanho? — Margarida perguntou, ainda meio zonza.
Vicente nunca havia colocado empecilho para suas saídas. Por um lado, ele sempre respeitou sua liberdade, por outro, desde aquela declaração no escritório do Grupo Almeida, Margarida ainda se sentia envergonhada demais para olhar direito na cara dele, quanto mais para descobrir o que passava pela cabeça dele sobre seus sentimentos.
Mulher apaixonada sempre vira um pacote de neuras e inseguranças.
Antes, quando enxergava Vicente só como parceiro de negócios, Margarida já achava ele demais, mas depois que se tocou dos próprios sentimentos, passou a ver nele a perfeição andando em duas pernas.
Várias vezes Margarida se pegava querendo se grudar nele, dar uns abraços apertados, ou até rolar uns beijos...
Mas Vicente não dava sinais de que curtia ela daquele jeito, então se ela partisse para essas, qual seria a diferença entre ela e uma tarada qualquer?

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