Margarida jamais imaginou que alguém havia flagrado escondido a conversa dela com Augusto na frente do Grupo Almeida alguns dias atrás, sem ela nem sonhar que estava sendo fotografada.
Quem tirou as fotos haviam escolhido ângulos bem sacanas, daqueles que distorcem tudo.
A frieza que Margarida demonstrou para Augusto naquele dia saiu meio borrada nas imagens, parecendo que ela estava se fazendo de difícil, mas, na verdade, queria alguma coisa. O jeito que Augusto olhava para ela também ficou estranho e sugestivo, como se ainda existisse um clima entre os dois.
Margarida deu uma olhada nas fotos e não conseguiu segurar uma risada irônica pensando em como a vida pregava peças.
Augusto havia flagrado Vicente e Susana na frente do Grupo Almeida antes, e agora alguém havia flagrado ele do mesmo jeito, mandando as fotos direto para Leonor na lata.
Pena que dessa vez ela estava no meio da confusão, então não dava para simplesmente fingir que não era com ela. Mas isso não significava que ela ia deixar Leonor inventar mentira sobre ela.
Margarida jogou as fotos de volta na mão de Leonor sem nem pestanejar.
— Eu não me encontrei escondido com o Augusto pelas costas do Vicente. Nessas fotos o Augusto estava me impedindo de ver o Vicente. Se você não engole isso, pode ir lá perguntar para os seguranças da entrada do Grupo Almeida. — Ela respondeu, numa boa.
Leonor sentiu o sangue ferver e deu uma gargalhada que mais parecia latido de hiena.
— Margarida, todo mundo sabe que o Grupo Almeida é quintal do Vicente, e você é a esposa dele. Mesmo que os seguranças saibam da verdade, eles vão ter medo de abrir o bico e perder o emprego, né? Não vem que eu não sou otária, sei muito bem que jogo sujo você está jogando!
— Margarida, se você não me convencer hoje com uma explicação decente, mesmo que aquele filho da mãe do Vicente fique te cobrindo, vou te ferrar de qualquer jeito! — Leonor berrou apontando o dedo na cara dela como uma doida varrida.
Leonor estava decidida a não acreditar numa vírgula do que Margarida falasse, porque não queria acreditar mesmo. Comparando a própria vida com a de Margarida, as coisas estavam desandando de vez para ela.
Uma vez Leonor não aguentou a ansiedade e cutucou para saber se ele já havia escolhido o local da cerimônia.
Augusto deu um suspiro cansado que mais parecia gemido de preguiça.
— Leonor, estou atolado no trabalho. Tem um monte de pepino rolando na empresa e eu não posso largar agora. Acho melhor a gente adiar nosso noivado um pouco, podemos esperar.
Esperar? Leonor nunca imaginou que um dia ia ter que ficar esperando homem que nem cachorro esperando dono, sem prazo e sem garantia.
Principalmente depois que Vicente a chutou do Grupo Almeida, deixando ela sem trabalho e sem poder meter o bedelho nos projetos de Augusto como antes.
Quando soube pelas amigas patricinhas que Augusto estava colaborando com uma empresa onde a gerente de projetos era uma mulher da idade dele, cheia de charme e competência, Leonor sentiu a sanidade mental pegar fogo e virar cinzas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Amante que Virou Cunhada