No andar de cima, Isadora estava entediada mexendo no celular deitada na cama, rolando de um lado para o outro.
Uma ligação de Porto Sul tocou.
Um número desconhecido.
A ponta de seu dedo parou na tela por um momento, e ela rejeitou a chamada.
Assim que desligou, a batida indelicada de Marta soou na porta.
— Senhorita Isadora, o Sr. Otávio chegou e trouxe sua carta de matrícula, a senhora mandou você descer para agradecer.
Isadora sentou-se devagar na cama.
O Sr. Otávio realmente tinha vindo?
Ela puxou os cantos dos lábios. Como esperado, quando um homem queria conquistar uma mulher, ele não tinha medo de ter trabalho.
— Já entendi — ela respondeu.
Saiu da cama, caminhou até a penteadeira, abriu a mochila que trouxera de Porto Sul, tirou um saquinho de pano, desfez o nó e despejou um Pendente de Jade Meia-Lua.
Ela segurou o pendente na palma da mão e deu um sorriso leve.
Já que Otávio estava lá, não seria demais deixá-la usá-lo um pouco, certo?
—
No andar de baixo, a sala de jantar estava toda iluminada.
Os passos de Isadora foram leves, mas os olhares de todos se concentraram nela instantaneamente.
Ao vê-la, Diana abriu um sorriso entusiasmado na hora e deu tapinhas no assento vazio ao seu lado: — Venha logo, irmã, sente-se aqui!
O olhar de Isadora passou por ela e pousou na figura cinza-escura ao lado do lugar de honra.
Otávio segurava uma xícara, de olhos baixos, bebendo chá, como se não tivesse notado sua chegada.
Isadora estava prestes a caminhar na direção de Diana.
Otávio de repente ergueu os olhos e disse de forma neutra: — Venha cá.
Algumas palavras, nem altas nem baixas, mas que fizeram o sorriso no rosto de Diana desaparecer por completo.
As sobrancelhas de Lorenzo se franziram de leve.
Isadora lançou um olhar para a expressão atônita de Diana, baixou os olhos e caminhou obedientemente para o assento vazio ao lado de Otávio.
Ela se sentou na cadeira e curvou-se levemente: — Senhora, Sr. Otávio.
— Senhora? — Otávio ergueu a sobrancelha.
Ele olhou para Helena, com um tom de quem sorria sem sorrir. — Cunhada, essa forma da Isadora de chamá-la... você aprova?
O rosto de Helena ficou um pouco antinatural, e ela forçou um sorriso: — A Isadora acabou de voltar, ainda não está acostumada com a casa, ela não quer mudar o jeito de falar, eu não posso fazer nada.
Ela lançou um olhar de soslaio para Isadora, com um ar de aviso.
Isadora sentou-se ao lado de Otávio, não olhou para Helena e apenas abaixou a cabeça.
Após alguns segundos, ela de repente levantou a mão e secou o canto dos olhos.
Quando ergueu a cabeça novamente, os olhos já estavam vermelhos e as lágrimas rolaram sem aviso.
— Senhora... — A voz dela estava embargada, e as lágrimas caiam uma após a outra. — À tarde minha irmã foi me ver, disse que a senhora quer fazer outro teste de DNA.
O rosto de Diana ficou pálido.
Ela olhou assustada para Helena, depois para Otávio, e mexeu os lábios.
Mas não conseguiu dizer uma palavra.
Ela não esperava que Isadora expusesse esse assunto na frente de Otávio.

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