Helena estava com uma grande gaze na bochecha direita. Sangue vermelho-escuro aparecia nas bordas.
A voz tremia de raiva. — Ele causou o acidente por dirigir cansado? Eu o contratei para dirigir, não para brincar com as nossas vidas!
Lorenzo a encarou.
Diana completou, entre soluços: — Tinhamos acabado de sair do quarto da professora Valente. O carro chegou na curva do viaduto e o motorista disse do nada que o olho estava coçando. Depois, começou a espirrar e nem conseguia segurar o volante...
— Olho coçando? — Lorenzo franziu a testa.
— Sim, ele ficou esfregando os olhos, disse que não enxergava a rua — Diana lembrou, o corpo tremendo um pouco. — Aí o carro bateu na mureta. A mamãe jogou o rosto para frente para me proteger...
— Ele com certeza não dormiu direito ontem! A família Drummond paga um salário tão alto, e ele trabalha desse jeito?!
— Mãe, não se exalte, cuidado com o machucado — Diana logo a acalmou.
— Como não vou me exaltar?! — Helena apontou para o próprio rosto. — E agora, o que eu faço? A senhora Mendonça vem assistir à competição amanhã. Como vou encontrar as pessoas com essa cara?! E a sua mão, como você vai pintar amanhã?!
Lorenzo franziu o cenho. — O que o médico disse? A mão da Diana está ruim?
— Lesão no tecido mole. Precisa de repouso por pelo menos uma semana. — Diana abaixou o olhar. — A competição de amanhã... Não vou poder participar.
O quarto ficou em silêncio.
A respiração de Helena ficou pesada. De repente, pegou o copo de água na mesa e o atirou com força no chão. — Aquele motorista... Vou demiti-lo! E não só isso, vou processá-lo!
— Senhora, o motorista ainda está em cirurgia... — disse Lorenzo.
— Que cirurgia o quê?! Merecia é morrer! — Helena gritou. — Ele nos deixou assim! O meu rosto! A competição da Diana! Tudo arruinado!

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