O tio mais novo da família Drummond, Otávio Drummond.
Famoso por ser discreto, raramente aparecia.
Lorenzo olhou para ela: — Você sabe bastante coisa.
Isadora sorriu de forma obediente.
— Sabe jogar xadrez? — perguntou Lorenzo, batendo os dedos inconscientemente na borda do tabuleiro.
— Um pouco. — respondeu Isadora com sinceridade.
Bernardo a havia ensinado; não apenas xadrez, ele a ensinara muitas coisas.
— Quem te ensinou? — questionou Lorenzo, com um olhar avaliador.
— Isso importa? — Isadora inclinou a cabeça e devolveu a pergunta.
Lorenzo não respondeu, trocando de assunto: — Foi o seu irmão de Porto Sul? Bernardo Viana?
Isadora assentiu.
Lorenzo estreitou os olhos, sua paciência se esgotando: — Vá implorar ao nosso tio. Se ele concordar que você entre no Verdes Mares, talvez você ainda tenha uma chance, não me irrite mais.
Dizendo isso, ele se virou para sair de novo.
— Espere. — Isadora o parou. — Onde... onde eu deveria ir para procurá-lo?
Lorenzo olhou para trás, seu sorriso parecendo um tanto malicioso na escuridão da noite.
— Clube L'Éclat.
O infame e extravagante local da Cidade do Mar.
Um local de entretenimento de elite, frequentado por celebridades e ricos, mas que também escondia incontáveis vícios e prazeres.
Mandar uma garota procurar alguém num lugar daqueles?
Suas intenções eram condenáveis.
Isadora claramente percebeu, e seu sorriso diminuiu.
Lorenzo não disse mais nada, curvou os lábios e virou-se, sua figura prestes a sumir na escuridão.
Isadora encarou suas costas eretas, mas solitárias, e de repente abriu a boca, a voz não era alta, mas suficiente para que ele ouvisse claramente: — Irmão, você é alérgico a gengibre, não é?
Os passos de Lorenzo pararam abruptamente e suas costas ficaram rígidas.
Ele se virou lentamente, com os olhos inescrutáveis na luz fraca: — O que quer dizer com isso?
— Diana preparou especialmente para você um chá de gengibre, você o levou para o quarto e o deixou sobre a mesa sem sequer olhar, não tomou um gole mesmo depois de esfriar. — Isadora analisou com um tom calmo. — Só há uma possibilidade, você não pode beber de jeito nenhum, você é alérgico a gengibre.
— Você realmente ouviu.
Lorenzo deu uma risada fria, mas não havia muita surpresa em sua expressão, em vez disso, havia a compreensão de quem já esperava por isso.
Ele deu dois passos à frente, voltando para o círculo de luz, e examinou cuidadosamente o rosto inexpressivo dela, com dúvida e interesse se misturando em seus olhos: — Já que sabe tudo o que fiz a você, e também por que estou contra você, por que se faz de boazinha e de coitada na minha frente?
Isadora encontrou o olhar dele e disse, suavemente, mas com firmeza: — Porque eu me importo com você, Lorenzo.
Lorenzo claramente ficou atônito.
Como se não tivesse ouvido direito, ou como se tivesse ouvido algo absurdamente ridículo.
— Isadora, você sabe o que está dizendo?
Ela se aproximou mais uma vez. Desta vez não foi um abraço, mas ela esticou os braços e gentilmente os envolveu ao redor do pescoço dele, enterrando o rosto na curva do seu pescoço e se esfregando, como um pequeno animal em busca de conforto.
— Eu não vou disputar nada com a Diana, nem o amor da mamãe, nem a aura de filha da família Drummond, nem mesmo o Gabriel; eu posso abrir mão de tudo isso. — Ela respirou fundo, como se estivesse usando toda a sua coragem: — Só te peço que não fique mais contra mim, não seja um obstáculo para eu viver aqui. Lorenzo, não quero que essa pessoa seja você. Eu... me importo com você.
Lorenzo permaneceu sem expressão, com um olhar impenetrável, tornando impossível adivinhar o que ele estava pensando.

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