Isadora: — Obrigada, serviu muito bem. Como sabe o meu tamanho?
Otávio Drummond respondeu rápido, de forma direta.
Sr. Otávio: — Eu já toquei, é bem macio.
Isadora olhou para aquelas palavras por dois segundos, sem expressão no rosto, e bloqueou a tela.
Guardou o celular na bolsa.
Ela foi até a área comum de maquiagem e se sentou diante de um espelho vazio.
A maioria das competidoras tinha maquiadores ou assistentes particulares.
Isadora não.
Ela abriu seu estojo de maquiagem simples e, diante do espelho, usou o lápis de sobrancelha e o batom. Com poucos traços, realçou o contorno dos olhos e a cor dos lábios.
A maquiagem continuava leve, mas deixou seu rosto mais expressivo.
Enquanto se concentrava no último traço do delineador, alguém esbarrou em seu cotovelo com certa força.
Uma garota com um vestido de dança rosa escuro parou ao lado dela, com o queixo erguido e tom autoritário: — Ei, este lugar é da Diana. Ela está vindo se maquiar, saia agora.
Isadora parou o que estava fazendo e virou o rosto devagar para a garota.
Seu olhar era calmo e vazio.
Isso fez a garota sentir um aperto inexplicável no peito.
Isadora não disse nada. Voltou a olhar para o espelho, pegou um cotonete com demaquilante e limpou o pequeno erro no delineado.
Então, fechou o estojo e se levantou.
No meio de tantas cores e maquiagens pesadas, sua figura branca parecia um elemento estranho naquele lugar luxuoso.
Ela pegou sua bolsa e foi para perto da entrada do palco.
Olhou a lista com a ordem das apresentações.
Ela era a número 11.
No palco, a candidata número 2 estava começando sua performance.
Ainda era cedo.
Isadora não ficou nos bastidores barulhentos.
Ela se virou e foi para um corredor silencioso na lateral do auditório.
Ali estava longe da música do palco e da confusão dos bastidores.
A iluminação também era mais fraca.
Ela deixou a bolsa em um canto e, de frente para a parede lisa, começou a aquecer o corpo.

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