Isadora teve um momento de distração. Quando olhou novamente, ele já havia desviado o olhar. Gabriel não respondeu aos lamentos de Valentina. Ele se levantou e saiu da enfermaria, com um porte que transmitia segurança.
Isadora ficou pensativa por um instante. Valentina suspirou, olhou para a porta e depois para Isadora, parecendo querer explicar o comportamento frio do primo. Por fim, fechou os olhos e disse rapidamente:
— Olha... meu primo é mudo. Ele não fala, então não leve para o lado pessoal.
Isadora olhou surpresa para Valentina. Mudo? Ela lembrou dos poucos encontros que teve com Gabriel. Realmente, nunca o ouvira dizer uma palavra. Então era isso.
Valentina mudou de assunto com um tom sério:
— Isadora, você não tem ideia da confusão lá fora! Logo depois que você pulou, o fogo foi apagado. As amigas da Bia disseram que não tinha ninguém lá, então os bombeiros e a escola não tiveram pressa. Mas quando entraram...
Ela estremeceu e não terminou a frase.
— A Família Camargo já chamou a polícia. A Sra. Camargo chegou ao hospital aos prantos, exigindo explicações da escola. Os Camargo são influentes aqui na Cidade do Mar e têm um patriarca muito poderoso por trás. Isso não vai acabar fácil.
Isadora estava encostada na cabeceira da cama, ouvindo em silêncio. Ela passou os dedos pelo cabelo comprido, verificando se os fios não tinham sido queimados. Ao ver que estavam intactos, relaxou e perguntou:
— Como está a Bia Camargo agora?
Valentina olhou para a porta e sussurrou:

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