O fogo aumentou.
As chamas já haviam se espalhado pelas velhas faixas e decorações penduradas nas paredes. O som de estalos tornou-se mais denso.
Isadora, no entanto, foi tomada pela música e por algo intenso em seu peito. Ela se virou para aquela imensidão laranja e ardente e, de repente, ficou na ponta dos pés e estendeu os braços.
Era uma pose clássica de dança.
Então, ela começou a girar. Sem público, tendo apenas o fogo como companhia.
A silhueta da jovem tornou-se ágil e fluida entre a fumaça e a luz. Cada movimento era preciso e expressivo, revelando anos de treinamento.
Girar, saltar, alongar...
Seus movimentos ficaram mais rápidos e intensos. Já não eram apenas toques leves; ela estava totalmente entregue àquela dança com as chamas.
A luz do fogo começou a se distorcer e mudar diante de seus olhos. Imagens fragmentadas passaram por sua mente.
— Uuuu — uuuu — uuuu!
O alarme de incêndio, aproximando-se, interrompeu a música do gramofone. Isadora parou bruscamente.
Seu peito subia e descia devido à dança vigorosa e à inalação de fumaça. O fervor em seus olhos deu lugar à calma.
Ela caminhou até Bia Camargo. O fogo avançava ferozmente.
Isadora se agachou, cobriu a mão com a manga e pegou a barra de metal usada para quebrar a fechadura, limpando cuidadosamente suas impressões digitais. Em seguida, olhou para as manchas de sangue no chão.
Suja os dedos no sangue ainda quente de Bia Camargo e espalhou-o em suas bochechas, testa e pescoço. Depois, tirou o crachá de Sabrina Camargo do bolso. Limpou as digitais dele também e o arremessou longe, no chão perto da porta.

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