No instante em que ela entrou completamente.
Um vulto passou rápido e atingiu com precisão a nuca dela.
— Uh! — um gemido curto e abafado.
Bia Camargo nem viu quem a atacava; tudo escureceu e ela caiu para a frente, perdendo a consciência.
Isadora saiu da sombra atrás da porta segurando uma barra de metal.
Ela nem olhou para a pessoa caída no chão.
Virou-se e fechou a porta.
Segurou a extremidade mais fina da barra com as duas mãos e, como se usasse um taco, bateu com toda a força na fechadura eletrônica.
Tum! Tum! Tum!
O som estridente do metal batendo ecoou na sala, soltando algumas faíscas.
Depois de alguns golpes, o painel da fechadura quebrou.
A fiação ficou exposta, soltando um chiado de curto-circuito e cheiro de queimado; parou de funcionar totalmente.
Isadora respirou fundo, jogou a barra já deformada perto dos pés de Bia e puxou uma cadeira velha e empoeirada.
Deu um chute nela, a poeira caiu e ela se sentou.
A cadeira rangeu sob o peso.
No chão, Bia continuava inconsciente. O rosto, arrogante minutos antes, agora estava sujo de poeira, pálido e frágil.
Isadora observou por alguns segundos e chutou a canela de Bia com a ponta do pé.
— Tsc — ela soltou um som vago.
Parecendo entediada, levantou-se e começou a revirar o quarto cheio de tralhas.
Jornais velhos, cadernos de exercícios descartados.
Livros de teoria esportiva rasgados, potes de tinta secos e molduras de madeira podres.
Ela pegou tudo de uma vez.
Então, sem expressão, jogou as coisas no chão, uma por uma.
Primeiro ao redor dela e de Bia, depois espalhou pelo resto, como se estivesse escondendo algo sujo.
Ou como se montasse um altar.
Depois disso, limpou as mãos e tirou um isqueiro de um estojo prateado no bolso interno do uniforme.
Click.
Uma chama azul surgiu.

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