Na última aula daquela tarde, o clima na turma Nove já estava tão agitado que mal se continha.
Depois de três semanas seguidas de aulas extras nas férias, sem um único dia de descanso, finalmente estava chegando ao fim.
Apesar de, em três dias, começarem oficialmente as aulas do último ano do ensino médio, três dias de folga ainda eram folga.
Serena Almeida estava em pé na frente da sala, tentando animar todos com um discurso vibrante e cheio de energia:
— Dois anos atrás, nós, professores e vocês, plantamos juntos a semente da esperança e cultivamos com cuidado os grandes sonhos que são só de vocês. Enfrentamos noites longas, calor e frio, chuva e tempestade, sem nunca desistir, estudando com afinco! Nós...
O discurso empolgado do professor da turma Oito, ao lado, também ecoava pelo corredor.
— Pessoal! Depois dessas férias, vocês serão oficialmente estudantes do último ano! Guerreiros do vestibular! O último ano é uma época de paixão ardente! Vamos encarar com a maior determinação! Com toda a nossa força! Vamos lutar, suar, sonhar alto e escrever juntos uma trajetória brilhante!
Miguel Peixoto murmurou:
— ...
Ele estava tão constrangido que quase se encolheu na cadeira, apoiando o rosto na mão para esconder a boca:
— Meu Deus, por que os nossos professores são tão empolgados? Será que se a escola pegasse fogo a gente parava de estudar?
Erick Rocha não segurou o riso e, no segundo seguinte, levou uma leve "chicotada" simbólica: um pedaço de giz acertou sua cabeça.
O olhar de Serena Almeida era afiado:
— Erick Rocha, você achou meu discurso engraçado?
Imediatamente, Erick Rocha endireitou o corpo na cadeira, respondeu com voz firme e cheia de energia:
— Eu não penso se vou conseguir ter sucesso ou não. Já que escolhi seguir em frente, só me resta seguir enfrentando o que vier! Vou encarar com um sorriso as dificuldades que estão por vir no último ano, mesmo que a vida queira me dar uma surra. Mas, como diz o ditado, “quem sorri, conquista até a maior dureza”, então espero que a vida saiba respeitar meus limites.
Terminando, exibiu um sorriso impecável.
A turma Nove caiu na gargalhada.
Um grupo de garotos começou a aplaudir forte, gritando:
— Falou bonito!
— Isso mesmo! Aos dezoito anos, é para ser cheio de vida, de energia, de coragem para enfrentar o mundo, para tentar o impossível! Para lutar! Para vencer!
A turma já estava acostumada com o entusiasmo contagiante da Profa. Serena em qualquer ocasião.
Na verdade, diziam que se ela não fosse professora de matemática, poderia dar aula de português e ainda assim brilharia.
Zoé Santos não disse nada.
Serena Almeida sorriu com carinho:
— Então, professora já deseja feliz aniversário adiantado para você, Zoé.
Zoé Santos nem teve tempo de agradecer.
De repente, Serena Almeida, como quem faz um truque de mágica, tirou de trás de si uma coleção inteira de apostilas amarradas com um laço de fita, e colocou com um estrondo na frente de Zoé Santos, balançando as mãos de forma divertida.
— Esse é o presente de aniversário que preparei especialmente para você. Gostou?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...