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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 80

Miguel Peixoto estava mexendo no celular quando olhou de relance e ficou pasmo:

— Nossa, desse tamanho? Será que não tá sem gosto?

Zoé Santos ergueu o olhar frio, os olhos brilhantes com um toque de desafio, uma sobrancelha arqueada:

— Repete isso se tiver coragem.

Com aquela aura imponente, Miguel Peixoto amarelou na hora. Tentou se remendar com um sorriso, forçando-se a responder:

— Se é doce ou não, só experimentando pra saber, né?

Erick Rocha soltou uma risadinha:

— Você tá quase me acertando com essas contas aí, hein?

Renata Senna falou com a voz serena e leve:

— Vamos dividir, então. É grande demais, eu não dou conta sozinha.

— Claro, Renata sempre generosa! Eu tenho uma faca aqui. — Erick Rocha, animado, tirou da gaveta sua faquinha de frutas. — Sabe abrir?

Renata Senna negou com a cabeça e passou a romã para Erick Rocha.

Erick Rocha foi lavar as mãos no banheiro e voltou para descascar a romã.

Renata Senna empurrou para o centro a lição de casa já pronta.

Zoé Santos franziu o cenho, irritada, tentando se acalmar. Contou até dez em silêncio e soltou o ar devagar.

Com um jeito largado, se recostou na cadeira, as pernas esticadas sem cerimônia.

Uma mão no bolso, abriu o caderno displicentemente com a outra.

Não escreveu quase nada.

Então, uma silhueta alta e magra se aproximou da mesa dela e bateu duas vezes com os dedos no tampo.

— Zoé Santos, pode sair um instante? Preciso falar com você. — Era Samuel Castro.

Dito isso, virou-se e saiu da sala.

Samuel Castro, sempre reservado e estudioso, mesmo tendo sido colocado ao lado de Zoé Santos por Serena Almeida, mal trocara palavras com ela.

Agora, todos na sala olhavam para Zoé Santos.

Ela inclinou a cabeça, terminou de copiar o exercício com calma e só então se levantou, empurrando a cadeira para trás com o pé.

Samuel Castro esperou por dois minutos lá fora. Zoé Santos não aparecia, ele já ia até a porta, tentando conter a impaciência para chamá-la de novo.

Foi direto ao ponto, analisando o que era melhor para ambos:

— Aliás, o que eu proponho é bom pra todo mundo. Você sabe bem que, se você e a Talita tiverem algum problema, a família Santos vai ficar do lado dela.

— Talvez você nem perceba, mas a Talita é o futuro da família Santos. Não tente competir com ela.

— Não arrume encrenca pra si mesma, Zoé Santos. Pense direito.

— No fim das contas, você ainda vai precisar da família Santos, vai precisar da Talita.

Falou com aquela arrogância típica dos prodígios:

— Entendeu?

Zoé Santos sorriu.

No vidro, refletia-se o canto irônico dos lábios da garota.

Nos traços finos e marcantes, havia uma ousadia indomável. Ela murmurou, baixa e devagar:

— Beleza, então vamos ver se eu preciso mesmo da família Santos e da Talita Santos.

Sem pressa, virou e voltou tranquilamente para a sala de aula.

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