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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 76

... eram todas coisas sem valor.

A trabalhadora da limpeza fez uma careta de desprezo e jogou tudo no chão.

Zoé Santos parou de andar, os dedos suspensos sobre a tela do celular, desviando o aparelho levemente para o lado.

Seu olhar pousou devagar sobre o amuleto de proteção jogado a seus pés, o cordão partido, algo tão familiar.

— Mana, esse amuleto é igualzinho ao seu... Olha, até o cartão e a caixinha são iguais... — Pedro Soares não conseguia controlar a própria língua.

Quando Zoé Santos abriu a caixa, ele deu uma espiada.

Culpa da memória privilegiada dele.

Henrique Farias lançou um olhar de soslaio para Pedro Soares.

Zoé Santos semicerrava os olhos, o brilho do olhar tão frio quanto gelo.

Pedro Soares falava alto.

A trabalhadora da limpeza, ouvindo aquilo, percebeu que, mesmo sem ser muito esperta, estava segurando algo de grande valor sentimental para a jovem à sua frente, tão marcante em sua aparência.

Ela apertou, instintivamente, o maço de dinheiro vivo na mão, fitando os três com desconfiança, e tentou se impor:

— Achei isso na lixeira! Vocês têm como provar que é de vocês?!

Henrique Farias apagou o resto do cigarro no cesto de lixo, os olhos escuros e profundos girando lentamente.

A voz dele era calma, mas havia um peso opressor que intimidava:

— Conhece apropriação indébita? Quem encontra algo e se recusa a devolver pode pegar prisão, detenção e multa. Isso aí dá uns cinco mil e duzentos... já é suficiente pra um processo.

O rosto da trabalhadora empalideceu.

Ela costumava circular por ali, então já tinha aprendido a avaliar as pessoas.

Mesmo sem marcas famosas nas roupas, bastava olhar para a postura daquele homem para saber que ele era alguém com quem não queria se meter.

Sem convicção, tentou protestar mais alto:

— Eu nem disse que não ia devolver!

Colocou o dinheiro e o cartão de volta na caixinha vermelha, e ao ver o amuleto de proteção rasgado no chão...

Meio trêmula, lançou um olhar para os três e, vendo que não a pressionariam mais, apressou-se em recolher o amuleto, jogando-o também dentro da caixa, que deixou sobre o cesto de lixo antes de sair quase correndo, murmurando xingamentos contra quem jogava coisas de valor no lixo.

Pedro Soares ficou surpreso; não esperava que Yasmim Castro, uma mulher de um bairro pobre, tivesse uma caligrafia tão bonita e palavras tão tocantes.

Apesar de ter contratado um grupo de hackers para investigar a origem da receita que Zoé Santos tinha nas mãos — sem sucesso —, a ficha completa de Zoé Santos, o grupo havia mandado, detalhadíssima, como um dossiê.

Até o nome do cachorro preto do irmão dela, Lucca Santos, constava no arquivo.

Pedro Soares já sabia de cor a relação entre o bairro pobre da Aldeia N, a família Santos de lá e a poderosa família Santos da Cidade R, assim como a troca entre Zoé Santos e Talita Santos.

Portanto, esse presente era de Yasmim Castro para sua filha biológica, Talita Santos.

Cinco mil e duzentos... Para Pedro Soares, não pagaria nem um almoço. Mas, para alguém da Aldeia N, era uma soma imensa, difícil de juntar.

Dava pra sentir o peso do sentimento de Yasmim Castro ao preparar esse presente.

E, no fim, Talita Santos nem abriu a caixa, jogou direto na lixeira?

Agora há pouco, o primo de Pedro, Marcos Soares, havia ligado só para elogiar Talita Santos.

Exemplo de virtude e talento?

Pedro Soares puxou de leve um sorriso, sem esconder o tom de desdém.

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