O tio porteiro colocou a caixa sobre a mesa, ofegante, recuperando o fôlego.
— Não precisa — Zoé Santos pegou a caixa nos braços com facilidade.
O porteiro arregalou os olhos diante da cena, começando a duvidar se a caixa que ela carregava era realmente a mesma que ele mal conseguiu tirar do chão.
Uma garota, com tanta força assim?!
Zoé Santos segurou a caixa, avaliando mentalmente que o frete devia ter ficado perto de trezentos reais.
Alternou para um braço só e mandou uma mensagem para Yasmim Castro avisando que tinha recebido a encomenda.
Yasmim Castro provavelmente estava longe do celular e não respondeu de imediato.
Zoé Santos guardou o telefone e, com passos longos e tranquilos, seguiu em direção à lan house de Bento Passos.
Nesse momento, um Maybach freou ao seu lado.
O vidro se abaixou.
O rosto hipnotizante de Henrique Farias surgiu, com traços perfeitos e uma presença quase avassaladora.
Zoé Santos semicerrrou os olhos.
A beleza, de fato, tinha o maior poder de atração e convencimento do mundo.
Ainda mais de perto, no banco do passageiro, Pedro Soares baixou um pouco os óculos escuros, cumprimentando-a com entusiasmo.
— Irmãzinha, quanto tempo!
Henrique Farias já tinha avisado Zoé Santos pela manhã, dizendo que ao meio-dia passaria para entregar as pastilhas aromáticas na pequena cabaça.
— Esperem aqui, vou guardar uma coisa — a voz dela era baixa e fria, a pele alva e a expressão serena, quase indiferente.
E, no entanto, havia nos olhos dela uma rebeldia difícil de conter.
Pedro Soares estava prestes a responder.
— Vai lá ajudar — veio a voz grave e autoritária ao lado.
Pedro Soares saiu rapidamente do carro para pegar a caixa das mãos de Zoé Santos.
— Pode deixar, irmãzinha, entrega aqui. Não precisa bancar a forte!
Zoé Santos ficou em silêncio.
Soltou a caixa, deixando que ele a carregasse.
Assim que a caixa chegou às mãos de Pedro Soares, o peso inesperado fez seus braços cederem rapidamente; ele se esforçou para manter o equilíbrio.
Primeiro, olhou incrédulo para Zoé Santos, depois para a caixa, assustado.
Achou que, já que ela carregava com uma mão só, a caixa não devia pesar tanto.
Entrar tão casualmente numa sala de descanso particular, entre homens e mulheres, carregava sempre um ar de intimidade.
Pedro Soares, lembrando das intenções do amigo, ficou tenso e perguntou, tentando disfarçar:
— Irmãzinha, este lugar é do seu namorado?
— E o que te importa? — respondeu uma voz despreocupada e insolente.
Todos se viraram e viram Bento Passos parado à porta, impecável no uniforme da escola, as mãos nos bolsos.
Bento Passos tinha acabado de sair das aulas.
O olhar dele, quase sem querer, foi direto para Henrique Farias.
Uma aparência impecável, traços marcantes, um ar de liderança natural e uma aura de poder inegável.
Elegância, mas também uma presença que pressionava quem estivesse por perto.
Em Cidade R, entre os influentes e conhecidos, Bento Passos sabia quem era quem.
Aquele ali, com certeza, não era da Cidade R.
Diante de Henrique Farias, as emoções do jovem eram como um livro aberto, fáceis de decifrar.
Como, por exemplo, a hostilidade que apareceu de repente nos olhos de lobo jovem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...