Entrar Via

Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 63

Miguel Peixoto ficou realmente surpreso.

Zoé Santos era de uma arrogância inacreditável.

Mesmo sentada, sem dizer nada, sem fazer qualquer gesto, só um olhar seu já impunha um respeito quase assustador.

Nem o pai dele, um homem implacável nos negócios, tinha um ar tão dominante quanto aquela figura.

Zoé era conhecida por ser brava nas brigas, com uma postura que deixava claro que não era alguém fácil de lidar, muito menos de se submeter à vontade alheia.

O temperamento dela era de dar medo em qualquer um.

Mas agora, ela realmente obedecia as palavras de Renata Senna, que tinha um jeito todo calmo e falava pouco…

Zoé Santos ainda deu conta da leitura matinal e entregou todas as tarefas das duas primeiras aulas.

Naquela manhã, Serena Almeida estava ocupada demais com as aulas para fazer sua costumeira ronda do lado de fora da janela.

Zoé, então, dormiu tranquilamente ao som distante da voz do professor.

Na hora do almoço.

Zoé colocou o boné e foi direto comer no Bento Passos.

Na entrada do beco, estavam parados alguns rostos novos de Lumiar.

No instante em que viram Zoé Santos, os rapazes ficaram pálidos; os cigarros em suas mãos tremeram todos ao mesmo tempo.

Zoé caminhou de mãos nos bolsos, seus traços marcantes meio escondidos pela aba do boné, trazendo um ar ainda mais misterioso e frio.

A pele dela era de uma brancura quase etérea.

O contorno do maxilar era firme e bem definido, o pescoço fino e bonito.

Mas, com um rosto daqueles, de uma beleza impressionante, ninguém ousava sequer pensar em nada além de respeito — ou medo.

— Zoé… — um deles chamou, trêmulo, e em seguida ofereceu um cigarro, com um sorriso quase servil —, aceita um?

Até o Sr. Bento a chamava de “chefe”.

Agora, em Lumiar, quem cruzasse com Zoé sabia que era melhor oferecer um cigarro do que arriscar outra coisa.

Zoé Santos olhou de relance para o cigarro e respondeu, com voz baixa e educada:

— Não, obrigada.

Sem mais, continuou caminhando.

Os garotos se apressaram em abrir passagem, como se recebessem uma autoridade.

Só quando Zoé já estava alguns passos adiante, é que os olhares deles, ainda cautelosos, se voltaram para suas costas.

Alta, até com o uniforme escolar a silhueta dela era de impressionar.

— Será que todo chefe desse nível é tão educado assim? — comentou um dos rapazes, com expressão confusa.

Ela ainda agradeceu…

Nem o Sr. Bento era tão polido.

— Amanhã começo a comer no refeitório — Zoé abriu uma lata de refrigerante, despejou no copo e acrescentou gelo.

— E por quê? — Bento levantou os olhos — Vive elogiando minha comida e agora quer largar?

Zoé apontou os talheres para ele, os traços delicados e a expressão desinteressada:

— É o último ano, irmão. Tá na hora de estudar.

— Estudar o quê.

Bento sempre ficava com dor de cabeça só de abrir um livro, e só de pensar em dever de casa já sentia sono.

Sem ambição alguma, respondeu:

— Com essa lan house, não vou passar fome nunca.

E não era só a lan house.

Em volta de Lumiar, todos os negócios de lazer — barzinhos, karaokê, sinuca, salão de jogos — tinham a mão do Bento.

Zoé não quis discutir mais.

— Ah, Zoé — Bento se recostou na cadeira, olhando para ela —, semana que vem é seu aniversário. Dezoito anos, vou fazer uma festa digna pra você.

Zoé ergueu as sobrancelhas.

Parecia até que estava falando de festa de oitenta anos.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R