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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 33

A turma nove não era a melhor da escola; as notas variavam bastante entre os alunos.

Marta Paz e seu pequeno grupo se davam bem, principalmente porque todos vinham de famílias tradicionais, o que facilitava a convivência.

No grupo privado, já tinham discutido bastante sobre as origens de Zoé Santos.

Diziam que ela só conseguiu entrar no Colégio Cidade H graças à influência de Talita Santos.

Constava que o ensino médio da Aldeia N era muito fraco, e de lá, só alguns poucos conseguiam entrar numa faculdade.

Além disso, Zoé Santos tinha fama de arruaceira, sempre envolvida em brigas; seu histórico era de dar vergonha.

Talita Santos, tão bondosa, ainda quis ajudá-la, mas Zoé Santos parecia não ter a menor noção do próprio lugar — realmente teve coragem de tentar ingressar no melhor colégio de Cidade R.

Será que ela não sabia o significado da palavra “humilhação”?

— No fim das contas, é provável que a nossa turma ganhe mais uma pessoa que não se encaixa — disse Miguel Peixoto, depois de copiar o dever de casa, espreguiçando-se.

Samuel Castro lembrou da descrição que Miguel Peixoto havia feito de Zoé Santos.

Uma garota problemática, cheia de confusão...

Na cabeça de Samuel, surgia a imagem de uma jovem com brincos exagerados, maquiagem carregada, roupas cheias de correntes metálicas, algo totalmente alternativo.

Ele franziu a testa e voltou a olhar para o exercício.

Nesse momento, Serena Almeida entrou na sala com um livro e algumas anotações, e o burburinho na turma diminuiu.

A voz suave e simpática de Serena Almeida ecoou:

— Temos uma nova colega na turma, deem as boas-vindas.

Zoé Santos tirou a máscara do rosto e a prendeu distraidamente no pulso, entrando sem pressa.

Samuel Castro terminava de resolver uma questão de física e virou a folha da prova.

O som do papel virando soou alto demais naquele silêncio repentino.

Samuel se surpreendeu ao perceber que, de repente, a sala inteira mergulhara em um silêncio absoluto.

Nunca tinha experimentado tamanha quietude ali.

— Zoé Santos, apresente-se para a turma — pediu Serena Almeida.

Com uma mão, Zoé Santos segurava sua mochila preta; com a outra, pegou o giz que Serena Almeida lhe estendeu e escreveu seu nome no quadro.

Samuel ergueu os olhos e viu o nome “Zoé Santos” estampado com letras grandes, ousadas e afiadas.

O traço da assinatura era bonito e provocador, impossível esconder tamanha irreverência.

A menina de preto se virou, devolveu o giz para a caixa.

— Sou Zoé Santos.

Marta Paz apertava tanto a caneta que seus dedos ficaram brancos.

Zoé Santos abriu o pacote do novo uniforme, jogou a blusa sobre os ombros e se recostou preguiçosamente na cadeira.

Abriu o material de matemática e, com uma caneta preta, escreveu seu nome.

O olhar, sombrio e indiferente, abaixado, escondia um toque sutil de rebeldia.

Uma aura de desprezo pelas regras pairava ao seu redor.

— Nossa... — murmurou Erick Rocha, impressionado.

Era impossível esquecer aquele rosto.

E impossível esquecer aquela letra.

E impossível esquecer aquela presença.

E, pelo visto, impossível esquecer as notas também...

Não era só o rosto bonito demais; até o corte no nariz parecia um troféu, como se dissesse: “meus feitos podem ser comprovados.”

O relógio preto, pesado e metálico em seu pulso, chamava atenção.

Era a primeira vez que Erick via uma garota usar um relógio daquele tipo, mas, nela, aquilo ganhava um ar selvagem e frio, completamente indomável.

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