Magro, alto, de pele iluminada.
O clima ao redor dele era indiferente, carregando nos traços uma rebeldia contida, oculta entre o autocontrole.
Pedro Soares arqueou a sobrancelha, sem qualquer emoção aparente.
— Mocinha, veio comprar o quê?
— Preciso de ervas, para preparar em comprimidos. — A voz da garota era baixa e serena.
Uma voz dócil, quase inocente.
Com dois dedos finos e longos, ela empurrou pelo balcão uma folha de papel dobrada em um quadrado pequeno e já um pouco surrada.
O balcão de madeira escura fazia com que seus dedos parecessem ainda mais brancos.
O olhar de Pedro Soares subiu das mãos dela até o pulso.
No pulso delicado e alvo, um relógio de metal preto logo se destacava.
Um relógio de estilo robusto, quase de guerreiro.
Tal qual a moça: sob a superfície dócil, havia algo de metálico, frio e cortante.
Não dava para saber de que marca era.
Mas Pedro, atento, percebeu num instante que os materiais e o acabamento custavam uma fortuna.
Pedro sorriu, largando até o jogo no celular, que ficou esquecido na mesa. Com as pernas compridas, se levantou num gesto descontraído, quase debochado.
Encostou-se preguiçosamente no balcão da farmácia, pegando a receita com dois dedos longos.
Abriu o papel com desleixo, mas seus olhos mudaram de expressão por um breve instante.
Logo voltou ao normal.
Pedro levantou o olhar para ela, batendo os dedos na receita, o sorriso idêntico ao de antes.
— Mocinha, quem te passou essa receita?
— Você consegue produzir? — Zoé Santos enfiou as mãos nos bolsos, uma perna dobrada, ficando de modo relaxado em frente ao balcão.
Pedro arqueou a sobrancelha, escorado de lado no balcão, sorrindo com arrogância.
— Em toda Cidade R, só eu teria coragem de aceitar uma receita dessas.
Zoé Santos estendeu para ele um cartão bancário preto, direta.
— Quando posso voltar para buscar?
Pedro inclinou a cabeça, deu de ombros.
— Se você não disser quem fez essa receita, fica difícil eu te ajudar, viu?
O silêncio pairou por alguns segundos.
— Heh.
Zoé Santos soltou uma risada baixa, os olhos negros e belíssimos fixos nele.
No fundo dos olhos, havia algo profundo e frio.
— Quero com urgência. — Zoé Santos respondeu, a voz sempre baixa.
Pedro pensou um instante, mantendo o sorriso.
— Então amanhã à noite pode pegar metade; o resto, depois de amanhã. É o máximo que consigo.
Zoé pegou o papel dobrado e guardou no bolso.
Aceitou o acordo com esse gesto.
De repente, ela apertou os olhos, desviando o olhar para a janela ao lado. Um brilho frio reluziu nas profundezas dos olhos.
No vidro, um reflexo nítido: o rosto duro, as sobrancelhas marcadas e frias.
…
Pedro Soares se despediu de Zoé Santos e foi para o fundo da loja com a receita em mãos.
A luz ali era fraca, apenas uma lâmpada branca pendurada iluminava o ambiente.
Sobre o sofá de couro caríssimo, uma silhueta alta estava jogada, as pernas longas repousando sobre a mesa de madeira nobre.
Os dedos finos e bem desenhados seguravam um cigarro, do qual subia uma fumaça azulada.
A camisa preta de seda estava casualmente enrolada nos antebraços, revelando braços magros e pálidos, largados de forma displicente.
A outra mão brincava, distraída, girando um cubo mágico prateado de formato estranho.
Os olhos negros, semicerrados e afiados, estavam fixos no ponto exato onde Zoé Santos estivera minutos atrás.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...