Era apenas uma peça semiacabada, que tinha passado por um polimento simples e alguns cortes.
— O que é isso? — Bento Passos pegou uma garrafa de água da mesinha de centro, abriu e sentou-se no sofá.
— A Vca está precisando de um anel marcante para o evento de alta joalheria no final do ano.
A voz de Zoé Santos era baixa e carregada de frieza. Ela estava sentada no tapete, com as pernas longas dobradas, apoiando-se num travesseiro e com o braço sobre a mesa.
Aquela esmeralda havia acabado de chegar em suas mãos.
Bento Passos tomou um gole d’água e pegou os desenhos de design ao lado dela.
O formato do anel era de uma serpente enrolada, com a cabeça talhada na própria esmeralda e incrustada no topo do aro.
O desenho já estava colorido.
A pessoa que o desenhou tinha um domínio quase absoluto da teoria das cores.
Apenas um esboço bastava para revelar o esplendor e o luxo que o anel teria em sua versão real.
A cabeça da serpente apresentava dois ângulos cortados na posição dos olhos, e as linhas verticais davam a impressão do olhar penetrante de uma serpente de verdade.
Frio, nobre, quase vivo.
Mesmo Bento Passos, sem entender de design de joias, percebeu imediatamente que aquele projeto, se divulgado, causaria um verdadeiro rebuliço no universo da joalheria.
Nem precisava esperar pelo anel pronto para a exposição.
O desenho já era suficiente.
De repente, lembrando-se de algo, Bento Passos ergueu os olhos:
— Zoé, a Vca não vai fazer hoje à noite um jantar de gala aqui no hotel?
Zoé Santos respondeu com um “hum” preguiçoso.
O celular vibrou.
Era uma mensagem da pessoa salva como “Bo”:
[Tem certeza que não vai vir pra festa? Assim que terminar seu evento de maioridade, dá tempo certinho de emendar outro.]
Zoé Santos digitou no teclado:
[Não vou.]
Bo:
[Ok, mas depois do jantar a gente tem que pelo menos comer alguma coisa junto, né? Aproveito pra comemorar seu aniversário.]
Zoé Santos semicerrando os olhos:
[Ninguém disse que, ao fazer dezoito anos, eu preciso sair correndo de um lado pro outro.]
Teve uma com Bento Passos.
Outra com a família Santos.
E agora mais esta?
Bo:
[Se não fosse pelo fato de você estar morando com os Santos, aposto que já estariam na sua porta com bolo e tudo.]
Zoé Santos:
[E pra quê? Me mostrar o que é amizade invasiva, tipo assalto domiciliar?]
E também Antônio Noé.
Antônia Costa não escondeu a surpresa em seu olhar.
Antônio Noé, mesmo sendo um ano abaixo dela, já havia quebrado vários recordes em Cidade H e trazido troféus de competições internacionais.
Não era apenas o desempenho acadêmico que chamava atenção; sua aparência também era única em Cidade H, embora sua postura reservada e fria o tornasse difícil de se aproximar, sempre rejeitando eventos sociais.
Ele realmente viera à festa de maioridade de Talita Santos?
— Prima — cumprimentou Rui Costa.
— Antônia — Samuel Castro e os outros foram cordiais.
Antônia Costa acenou com a cabeça e olhou para Antônio Noé, brincando:
— Dizem que calouro é sempre difícil de convidar, meio arrogante, mas olha só, também veio pra festa da Talita.
— Talita está ali dentro, podem entrar — disse ela, sorrindo, sem imaginar que o motivo da presença deles pudesse ser outro.
De repente, a porta do quarto em frente se abriu.
Antônia Costa cruzou os braços e olhou com desdém para Bento Passos:
— Bento Passos, olha pros amigos da Talita e depois olha pra você e Zoé Santos. Já que anda com gente como a Zoé, é melhor ficar longe da Talita, não vá manchar o nome dela.
Os olhos de Antônio Noé, por trás dos óculos de armação metálica, brilharam com um frio cortante.
Zoé Santos, “gente como essa”?
Antônio Noé sorriu de canto, lançando a Antônia Costa um olhar gélido:
— Eu não me lembro de ter dito que vim para a festa de maioridade da Talita Santos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...