Depois de dez segundos esperando, sem resposta, Thiago Santos estava prestes a bater novamente.
A porta se abriu de repente.
Zoé Santos apareceu no vão, o quarto estava às escuras, pouco iluminado.
Seu rosto parecia pálido, quase translúcido, e havia um leve tom avermelhado em seus olhos. As sobrancelhas carregavam um ar frio e impaciente.
No entanto, ao falar, sua voz era polida e comedida.
— Pois não?
A voz soava rouca, como se tivesse acabado de acordar.
Thiago Santos hesitou por um instante e, então, sorriu de forma gentil.
— Zoé, você acabou de voltar e eu ainda não lhe dei nenhum presente. Andei ocupado esses dias... Vou fazer uma transferência para você, assim pode comprar algo que goste, tudo bem?
— Não precisa. — Zoé Santos respondeu de maneira direta, com um tom indiferente.
— Então... que tal trocarmos WhatsApp? — Thiago mostrou o celular, balançando-o levemente. — Assim fica mais fácil para nos comunicarmos depois.
Zoé o observou por dois segundos, assentiu.
Deu alguns passos largos até a cama, pegou o celular e adicionou o contato dele.
A foto de perfil dela era uma paisagem montanhosa envolta em nuvens, mas a imagem era tão escura e silenciosa que transmitia uma certa opressão.
Thiago Santos levantou os olhos.
— Qualquer coisa, é só me chamar no WhatsApp.
Zoé Santos encostou-se casualmente ao batente da porta, postura despreocupada, olhar frio e distante.
— Tem mais alguma coisa?
O tom era reservado, quase glacial, carregado de uma altivez difícil de penetrar.
Thiago sorriu, com um quê de mistério.
— Descanse cedo.
Virou-se e se afastou.
Enquanto caminhava, fez uma transferência de dez mil reais para Zoé.
Ela dissera que não precisava, mas Thiago entendeu como orgulho. Afinal, quem não quer dinheiro?
Considerando o estilo de vida e o padrão de Zoé Santos, aquela quantia seria suficiente.
Sabia que ela tinha alguns maus hábitos — dar demais poderia ser problemático, caso ela cometesse algum erro depois.
O celular de Zoé vibrou, mas ela ignorou, jogou o aparelho de lado e voltou a dormir.
Asafe.
Famoso designer de armas, identidade desconhecida, passado misterioso.
Só se importava com dinheiro.
Asafe tragou um cigarro, a brasa iluminando seu rosto por um instante. Depois, apoiou o braço na janela, batendo o cinzeiro no ar.
Com o celular na mão, falou com desdém:
— Esse trabalho pode ser difícil ou fácil... depende da grana... Poxa, querem que eu faça tudo por uns trocados...
Enquanto falava, a porta do carona se abriu.
Asafe virou a cabeça, levantou uma sobrancelha ao ver quem era.
— O que foi? — soltou, seco, e desligou o telefone sem cerimônia.
A garota sacou uma arma da cintura e jogou para ele.
Asafe pegou com uma só mão, examinou a arma, girou-a entre os dedos, engatilhando-a com um clique preciso.
Apoiou o braço na janela, um sorriso audacioso e cruel no rosto.
— Diga, quem vai ser o alvo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...