Quando ela terminou de falar, as luzes se acenderam, e Marcel pôde ver claramente que nos olhos de Lavínia não havia amor nem ódio.
Já no olhar de Belmiro estava um traço de sorriso, um sorriso que carregava a provocação de um vencedor.
"Com licença, por favor." Disse Belmiro com calma.
Marcel não se moveu.
Mas ele percebeu que Lavínia já tinha franzido a testa, parecendo um tanto impaciente.
Ela abanou o ar diante do nariz com a mão, dizendo: "Que cheiro horrível, odeio cheiro de cigarro. Não fume na porta da minha casa daqui pra frente."
Essa frase era simplesmente um comentário direto, mas para Marcel, doeu mais do que qualquer outra coisa que Lavínia tivesse dito antes.
Afinal, uma verdadeira rejeição não precisa de discussões histéricas; basta que ela considere a sua presença irritante para fazer com que ele se sinta gelado por dentro.
Ele cambaleou um pouco, inclinando-se ligeiramente para o lado, e perguntou: "Lavínia, você já me odeia tanto assim?"
Lavínia olhou para ele, confusa: "Por que eu te odiaria? Nós não temos qualquer relação. Eu só odeio o cheiro de cigarro e não quero perder tempo quando volto para casa."
Os olhos de Marcel se encheram de lágrimas instantaneamente.
Ele olhou profundamente para Lavínia e então recuou alguns passos, abrindo caminho.
Em poucos passos, ele parecia ter sido esvaziado de energia, com um olhar totalmente sombrio.
Mesmo sabendo que Belmiro poderia estar rindo dele, ele não conseguia manter sequer o mínimo de dignidade e compostura.
E Lavínia simplesmente não lhe deu atenção. Assim que o espaço na porta ficou livre, ela puxou Belmiro e entrou, fechando a porta com um estrondo.
Lavínia estava prestes a trocar de sapatos quando de repente foi pressionada contra a porta por Belmiro.
Ele a beijou de forma intensa.
Diferente do distanciamento que mostrara antes no clube, agora o homem estava fervendo, como se fosse outra pessoa.
Lavínia estava presa entre a porta de segurança dura nas costas e o peito quente do homem à sua frente.
Seus lábios foram forçados a se abrir, o ar foi sugado, e suas mãos foram seguradas firmemente acima da cabeça.
E, separando-os apenas uma porta, ele pensou, maliciosamente, que Marcel provavelmente estava escutando através da parede.
Então, por que não deixar ele ouvir um pouco mais?
Por isso, sua investida tornou-se ainda mais avassaladora.
Lavínia soltou gemidos abafados sob seus beijos e, mesmo quando conseguiu emitir algum som, era quebrado e ininteligível:
"Você... você realmente está no seu primeiro dia de trabalho?"
Belmiro roçou a ponta da orelha dela, com a voz rouca: "Sim, sou virgem, então se eu não estiver indo bem, me avise, chefe."
A respiração de Lavínia falhou, sua cabeça zunia, e ela perguntou, hesitante: "Isso não é rápido demais?"
Embora contratar um modelo masculino para ir para casa fosse quase esse o processo...
"Não quer que seja rápido?" O homem à sua frente riu baixinho, então pareceu pensar por um momento antes de dizer: "Então vou devagar, mais duradouro?"

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