A sala privativa tinha cerca de dezesseis a dezessete metros quadrados, com vários equipamentos de jogos de mesa no centro, enquanto a área do sofá estava disposta em um ângulo de 270 graus ao redor.
Lavínia e seu acompanhante estavam sentados exatamente em frente a Vanessa e seus dois acompanhantes, separados por alguns jogos e uma mesa de centro.
No momento em que Belmiro se sentou, os dois modelos ao lado de Vanessa intensificaram seus esforços.
Um deles servia vinho para Vanessa, enquanto o outro massageava seus ombros e pescoço.
Enquanto trabalhavam, não podiam deixar de levantar o olhar ocasionalmente para Belmiro, que não se preocupava em atender ninguém.
Estava em plena competição masculina.
Vanessa tinha acabado de ser rejeitada por seu colega de laboratório e estava triste, mas agora, com toda essa atenção e sem entender o que Lavínia e seu marido estavam fazendo, sua tristeza desaparecera.
"Irmã, seu rímel está um pouco borrado, deixa que eu limpo para você!" O jovem à esquerda, chamado Adonias, se aproximou de Vanessa, quase encostando os lábios no rosto dela.
"Moça bonita, assim está mais confortável?" O modelo atrás dela, chamado William, inclinou-se, aproximando-se do ouvido direito de Vanessa.
Lavínia observava a cena do outro lado, perplexa.
Ela se virou, lançando um olhar sugestivo para o homem ao seu lado.
Nem precisava de uma massagem, mas ao menos poderia servir uma bebida para ela!
No entanto, ele não se mexeu, recostando-se na cadeira, observando-a com interesse, como se esperasse ver o que ela faria.
Sem escolha, Lavínia inclinou-se para pegar uma garrafa de vinho, decidida a servir duas taças.
Não tinha jeito, o modelo que ela mesma escolheu, teria que 'aproveitar' até o fim.
Porém, assim que pegou a garrafa para servir, seu pulso foi segurado.
O homem ao seu lado franziu a testa levemente, sua voz firme e inquestionável: "Você não pode beber."
"O quê?" Lavínia olhou para cima, confusa: "Por quê? Tem medo que eu fique bêbada e te incomode?"
Belmiro fixou seus olhos profundos nela: "Oh, e como você pretende me incomodar?"
Era raro alguém ir ao Clube Noite e pedir leite, além de ser tão específico com as sobremesas.
Os dois modelos do outro lado olharam para Belmiro como se ele fosse uma ave rara.
Forte por fora, mas frágil por dentro.
Belmiro não se importava com os olhares alheios. Quando o pedido chegou, ele e Lavínia tinham cada um um copo de leite e uma fatia de bolo de morango.
A atmosfera na sala era peculiar.
Uma mesa de jogos separava dois mundos: de um lado, adultos jogando livremente; do outro, bebendo leite e comendo bolo, tão inocentes que nem sequer deram as mãos.
Até que, ao ver um pouco de creme no canto dos lábios de Lavínia, Belmiro inclinou-se, seus dedos longos tocando levemente o canto da boca dela, limpando devagar.
Lavínia olhou para ele, atônita.
Ele encontrou seu olhar, riu baixinho e se aproximou mais: "Minha chefe, quer me dar um beijo?"

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