Lavínia sentia-se como se tivesse passado por uma exaustiva corrida que lhe esgotara a alma. Quando finalmente abriu os olhos, sua cabeça estava inchada e doía a ponto de explodir. O corpo dela ainda estava fraco, mas pelo menos conseguia se levantar.
Ela notou o celular em seu colo, o carregador e a bateria que haviam caídos ao lado, enquanto sua mente estava imersa num vazio longo.
Ela não sabia por que estava no chão, nem mesmo conseguia se lembrar do que estava fazendo antes.
Seus dedos doíam, e quando ela levantou-se para olhar, percebeu que dois deles estavam feridos.
Seria por ter visto as fotos no velho celular?
Tremia, pegou o celular que usava habitualmente da mesa e tentou desbloqueá-lo com o rosto, mas percebeu que havia manchas secas de sangue na câmera frontal.
Ela limpou o aparelho em suas roupas antes de finalmente conseguir desbloqueá-lo.
A tela estava presa no aplicativo de notas, e claramente foi algo que ela havia escrito antes de perder a consciência:
"Lavínia, a pessoa que estava com você há 8 anos era o Belmiro. Se sua memória for apagada mais uma vez ao tentar se lembrar do passado, não pense nisso deliberadamente. Antes de encontrar uma maneira de desbloquear suas lembranças, apenas precisa lembrar-se de que você gostou dele do começo ao fim."
Lavínia olhava fixamente para aquelas palavras, e ficou atônita.
Ela sabia que perdia a memória toda vez que desmaiava, mas ela sabia subconscientemente que gostava de Belmiro há oito anos e ainda o amava agora.
Desta vez, ela não esqueceria disso.
E agora já se passaram várias horas. Será que a cirurgia de Belmiro já havia terminado?
Seu coração descontroladamente disparou de novo, e o pânico espalhou-se por seu corpo, enquanto Lavínia lutava para se levantar e tropeçou ao apoiar-se na porta.
Lá fora, tudo estava em silêncio quando ela empurrou a porta. Ficou tão silencioso que quase não teve forças para abrir a porta.
Até que viu Elvis vindo apressadamente.
Elvis não esperava ver Lavínia com uma palidez tão extrema, como se ela mesma tivesse passado por uma cirurgia.
Ele correu para ampará-la: "Cunhada, você está bem? O que há de errado com você?"
Lavínia fixou seus olhos nos de Elvis. A sua voz estava fraca, quase foi um sussurro: "Como ele está?"
Lavínia concordou com a cabeça e perguntou: "Posso vê-lo?"
Elvis assentiu e a ajudou até a entrada da UTI.
Através de uma pequena janela de vidro, Lavínia avistou o homem que estava lá dentro.
Belmiro tinha a vários aparelhos conectados a ele, e estava deitado tranquilamente, como se estivesse dormindo.
Seu cabelo original de comprimento médio e desgrenhado, havia sido cortado bem curto, mas Lavínia achou que não era feio. Em vez disso, ele exalava uma forte presença.
Ela não lembrava se já tinha visto Belmiro com esse corte antes. Ela estava encostada na janela, ficou observando em silêncio e os seus olhos brilhavam de alegria.
Ao lado, Elvis notou duas marcas vermelhas no vidro e não pôde deixar de preocupar: "Cunhada, sua mão?"
Lavínia balançou a cabeça: "Não foi nada. Só foi um arranhão na tela do celular, e já está quase sarando."
Elvis percebeu que aquilo não era apenas um único corte, mas eram diversos cortes.

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