Marcel naquele dia, sentiu como se o mundo inteiro estivesse a parabenizá-lo.
E a outra protagonista da história que estava sendo comentada, não tinha a menor ideia do que estava acontecendo.
Após sair do shopping, ela foi direto para o Apartamento de Selva.
A casa estava bastante silenciosa, e ao perguntar, soube que hoje era o dia de Belmiro ir ao hospital para um check-up completo.
Embora a casa estivesse bem equipada em todos os aspectos, a situação de infecção ocular dele necessitava de exames para ajustar a dosagem dos medicamentos com flexibilidade.
Durante esse período, ele também precisava reavaliar a recuperação dos nervos das pernas.
Com a casa em silêncio, Lavínia aproveitou esse tempo para planejar o futuro.
Embora estivesse casada com Belmiro, tratava-se de um casamento por contrato, e a Família Sousa tinha o direito de encerrá-lo a qualquer momento.
Em prol do desenvolvimento futuro, Lavínia não pode desistir de sua carreira.
Por isso, Lavínia acessou a internet e encomendou alguns livros profissionais, planejando usar esse tempo para estudar e se preparar, antes de considerar o planejamento de carreira futuro.
Belmiro só retornou do hospital ao anoitecer.
Lavínia suspirou, se perguntando por que sempre acabava indo procurar Belmiro à noite? Isso a fazia parecer como se tivesse algum propósito especial.
Não havia o que fazer, já que Belmiro trancava a porta do banheiro quando tomava banho, Lavínia só podia esperar que ele saísse.
A noite já havia caído completamente quando Lavínia, com o presente que comprara, bateu à porta do quarto de Belmiro.
O quarto estava silencioso, sem qualquer resposta.
Mas Lavínia sabia que Belmiro estava lá dentro.
Ela bateu novamente, e só então ouviu a voz baixa do homem: "Já comi."
Era claro que ele sabia que era ela.
"Não vim para te alimentar." Lavínia estava pensando em como fazer com que ele abrisse a porta, quando notou que a porta não estava trancada.
Com a força que aplicou, a porta até abriu uma pequena fresta.
Aproveitando, ela entrou e viu que o quarto estava escuro como no dia anterior, e a cadeira de rodas estava vazia.
Ele não podia ver, mas segurou sua mão com precisão.
"Não é nada." Ele disse suavemente: "Pode ir."
Lavínia franziu a testa: "Você está se sentindo mal? Vou chamar o médico agora!"
"Não precisa." Belmiro disse, soltando-a, com um tom calmo: "Já estou acostumado."
Lavínia parou de respirar por um momento, e sua expressão ficou congelada.
Ela tinha visto o prontuário de Belmiro, mas não era médica, então aqueles termos eram apenas uma série de números incompreensíveis para ela.
Mas ela sentiu claramente que os dedos de Belmiro estavam frios, e sua testa suava. Sua pele, já pálida, parecia ainda mais desbotada, como se pudesse se despedaçar e desaparecer a qualquer momento.
De forma inexplicável, algo dentro de seu coração parecia ter sido perfurado.
Houve um momento de dor.
Mas essa sensação desapareceu instantaneamente, deixando apenas uma estranha confusão.

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