Ela se encostou no encosto macio da última fileiras, enquanto Belmiro inclinava o rosto, buscando seu olhar.
Não se sabia quem havia começado, mas eles se aproximaram como ímãs.
O filme alcançava a cena culminante, onde o casal protagonista, após muitos obstáculos, finalmente estava junto.
A cerimônia de casamento era caótica e barulhenta, mas, para Lavínia, o único som audível era o das batidas do próprio coração, acelerado como um tambor.
Belmiro segurou seu rosto e a beijou profundamente. Dessa vez, não foi o beijo primeiro, não foi apenas um toque leve.
Toda sua força parecia ter sido drenada, e ela estava quase desmaiando nos braços dele.
Mesmo quase sem fôlego, tentou retribuir o beijo, desajeitada e inexperiente.
Quando Belmiro percebeu que Lavínia estava quase desmaiando pela falta de ar, ele se afastou levemente, permitindo que ela respirasse encostada em seu ombro.
Coincidentemente, naquele momento, o filme silenciou. Na tela, a protagonista começou a cantar.
Lavínia inalou o cheiro de Belmiro e olhou para a tela grande.
A voz limpa, mas levemente rouca, ecoou pelo cinema::
"Por ele, sou cheia de coragem, cada palavra minha é verdade. Já sonhei tanto que não quis acordar. Já senti saudades a ponto de adoecer, já me encantei com o jeito que ele vai embora, já tive um coração de aço por ele, já beijei seu pescoço… Já estivemos entre tantos, escondendo nosso amor no gesto mais intenso.
A protagonista do filme parecia estar interpretando o passado dela.
Lavínia começou a cantar baixinho a melodia em seu coração, enquanto fechava os olhos lentamente.
Desta vez, ela levou dez minutos inteiros para acordar.
Embora mais uma vez tivesse esquecido a história por trás daquela foto, ela continuou folheando.
Passava as imagens como se fosse um castigo autoimposto. Desmaiava. Acordava. Repetia.
Quando finalmente acordou, mal conseguia segurar o celular, com o dedo indicador e o médio em carne viva.
Algo em sua mente parecia prestes a explodir, e uma dor surda e prolongada ecoava das profundezas de sua consciência.
A visão escureceu ainda mais, e ela percebeu que seu corpo não respondia mais. Flocos de neve dançavam em seu campo de visão, e sua mão estendida acabou caindo sem forças a um metro da porta.
E, naquele momento, dentro da sala de cirurgia...
O novo medicamento, cujo nome ainda era apenas um código, foi injetado na veia de Belmiro.
Elvis havia concluído a sutura.
No instante em que largou a pinça, sentiu como se o destino apertasse sua garganta.
Os olhos fixos no monitor.
Os aparelhos piscavam.
Todos os sinais de alerta estavam lá.
Os especialistas de renome mundial presentes também estavam como Elvis, fixos no monitor repleto de sinais de alerta, e esperando.

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