"O acidente foi bem grave, mas meu carro estava no final, então só tive alguns arranhões..." Eduardo explicou com a voz rouca, temendo que ela se preocupasse ainda mais.
Ao ver que ele estava realmente bem, a ansiedade de Yara finalmente se acalmou.
Na sua mente, porém, voltou o pensamento de que ele havia sumido nos últimos dias. Ela gritou baixinho, furiosa: "Por que você ficou dias sem voltar pra casa?"
"Será que você estava lá fora, tendo filhos com outra pessoa..."
Yara parecia prestes a mergulhar novamente num estado de tristeza.
Eduardo a impediu a tempo, beijando seus lábios suavemente.
O calor daquele beijo lhe trouxe uma inexplicável sensação de segurança.
Seus dedos longos pousaram em sua face, ajeitando delicadamente uma mecha de cabelo caída, enquanto a ponta dos dedos enxugava os vestígios de lágrimas nos cantos de seus olhos.
Ele se inclinou e sussurrou ao seu ouvido: "Não pense bobagens, eu só quero ter filhos com você."
"Tá bom!"
Yara, com seus grandes olhos amendoados, o examinou de cima a baixo. "Você está mesmo bem? Já pode voltar pra casa?"
Eduardo a puxou pela cintura, aproximando-a de si, e murmurou baixinho em seu ouvido: "Hum... Por que eu não estaria? Daqui a pouco, em casa, te provo na cama!"
Ela só queria saber sobre o estado de saúde dele, mas aquele homem sempre distorcia tudo, entendendo tudo errado!
E ainda tinha a cara de pau de dizer essas coisas no corredor do hospital...
Yara abaixou a cabeça, sentindo as bochechas esquentarem rapidamente, e olhou nervosamente para os lados, preocupada que alguém pudesse ouvi-lo.
"Amor, vamos pra casa logo!" Yara respondeu, envergonhada, com uma voz suave e carinhosa para acalmá-lo.
"Yara, desce primeiro, tá? Ainda tenho umas coisas pra resolver aqui."
"Mas..."
Yara queria ir com ele, não queria ficar sozinha, mas vendo o tom sério dele, acabou concordando em descer primeiro.
"Então vou esperar você lá embaixo."
De repente, ela ouviu atrás de si a voz serena de Irineu Prado.
Yara se virou e viu Irineu, de jaleco branco, sorrindo para ela.
"Irineu."
"Yara, ouvi o chefe do setor dizer que meu primo sofreu um acidente, então vim ver. Não achei que você também estaria aqui." O olhar de Irineu percorreu o ambiente rapidamente, logo voltando para ela.
"Yara, meu primo está ali dentro, por que você não entra?" Yara mordeu o lábio, sem coragem de admitir que estava com medo de entrar.
Só conseguiu responder de forma teimosa: "Seu primo está bem o suficiente para cuidar de outras pessoas no quarto, então não deve ter nada de mais."
Nesse momento, a assistente de Liana abriu a porta do quarto. "Srta. Franco!"
No instante em que a porta se abriu, Yara quis sair correndo dali, não queria que aquele homem a visse naquele lugar.
Eduardo, ouvindo a voz da assistente, se virou, e os olhares dos dois se cruzaram no ar.

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