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Vendida ao Sheik romance Capítulo 154

Khandra

Pashir entrou no quarto para conversar com Maisha, e eu permaneci do lado de fora, sentada em uma das cadeiras do corredor, ao lado de Miriã. O hospital estava silencioso àquela hora da noite, iluminado por luzes frias que tornavam tudo ainda mais tenso. O cheiro de antisséptico misturava-se ao peso daquela situação que parecia não ter fim.

Ela me observava com atenção, como se estivesse me estudando. Eu também não desviava o olhar. Não gostei nem um pouco da forma como havia falado comigo mais cedo — firme demais, direta demais, como se tivesse autoridade sobre mim, sobre o meu casamento, sobre a minha vida.

A verdade era simples: eu não confiava nela.

E muito menos na filha dela.

Para mim, tudo aquilo tinha cheiro de armadilha. Um discurso bem construído, palavras bonitas, postura de mãe protetora… mas, quando se olhava com mais atenção, o objetivo parecia claro: afastar Pashir de mim e empurrá-lo para uma família que nunca foi a dele.

Respirei fundo antes de falar. Não ia baixar a cabeça.

Khandra:

— Eu não gostei da forma como a senhora falou comigo mais cedo. Acho que passou dos limites.

Miriã não se mostrou surpresa. Apenas cruzou as mãos sobre o colo e me respondeu com uma calma que, confesso, me irritou ainda mais.

Miriã:

— Eu falei como uma mãe fala quando sente que a filha está sendo atacada. Nada além disso.

— Atacada? — repeti, incrédula. — Sua filha me procurou, me provocou e me agrediu. Eu apenas me defendi.

Ela sustentou meu olhar.

Miriã:

— E eu não estou dizendo que minha filha é santa. Ela errou, sim. Mas você também errou ao deixar essa situação sair do controle. Vocês duas passaram dos limites.

Soltei uma risada curta, sem humor.

Khandra:

— Com todo respeito, a senhora fala como se eu tivesse obrigação de aceitar tudo calada. Eu sou a mulher do Pashir. Eu construí uma vida com ele. Eu não apareci agora.

Miriã inclinou levemente a cabeça, como quem reconhece um ponto, mas não recua.

Miriã:

— E ninguém está tentando tirar isso de você. Mas existe uma criança envolvida agora, e quando existe uma criança, as coisas deixam de ser apenas sobre adultos feridos.

— Eu tenho dois filhos — respondi, firme. — Sei exatamente o que é colocar uma criança em primeiro lugar. Justamente por isso eu jamais tiraria um filho da mãe.

Ela me observou por alguns segundos antes de falar novamente.

Miriã:

— Então pare de agir como se minha filha fosse uma ameaça constante. Ela está com medo. Medo de perder o filho, medo de ser esmagada por alguém com mais poder, mais dinheiro, mais influência.

— Então que assim seja. Eu não vou forçar ninguém a nada. Mas também não vou permitir que minha filha seja humilhada, ameaçada ou silenciada.

— Eu nunca ameacei ninguém — respondi, sentindo o nó no peito. — Só não vou aceitar perder meu marido por pressão.

Miriã suspirou.

Miriã:

— Então estamos entendidas. Ninguém perde ninguém aqui. Mas todos terão que aprender a dividir espaço, responsabilidades e limites.

Nesse momento, a porta se abriu. Pashir saiu do quarto com o semblante sério, cansado. Seus olhos passaram por mim e depois por Miriã.

— Precisamos ir — ele disse, com voz firme, mas controlada. — Maisha está descansando agora.

Levantei-me devagar. Antes de sair, Miriã falou uma última vez:

Miriã:

— Eu espero, de verdade, que você seja feliz, Khandra. Mas não confunda felicidade com controle. Isso destrói tudo no fim.

Não respondi. Apenas segui ao lado de Pashir pelo corredor silencioso.

Por dentro, uma coisa estava clara:

essa história estava longe de acabar.

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