Maisha
Cheguei em casa em Dubai e, para minha surpresa, Pashir não veio atrás de mim. Não acredito que ele ficou do lado daquela desgraçada, mesmo depois de Khandra avançar em mim, a mãe do filho dele. Porque essa versão eu vou manter até o fim. Se ele quiser ter um filho, ele vai ter que ficar do meu lado — querendo ou não. As meninas tinham razão: ela vai acabar tentando tirar essa criança de mim, e eu não vou deixar.
Entrei em casa já fingindo que estava passando muito mal. Meus pais ficaram assustados e minha mãe logo disse que eu precisava ir ao hospital. Foi aí que precisei contar para ela que estou grávida. Ela arregalou os olhos e disse que eu podia estar perdendo o bebê. Saímos rápido e fomos para uma clínica particular, cheia de mármores, enfermeiras discretas e silêncio. Comecei a inventar vários sintomas que tinha visto na internet, só para garantir que me internassem.
Quando cheguei ao hospital, já fui falando meus sintomas para a médica — ela me examinou, fez alguns testes e me deixou em observação. Disse que, se eu estivesse mesmo sentindo tudo aquilo, precisaria de repouso total, principalmente grávida. Olhei de lado, satisfeita. Minha mãe se ofereceu para avisar Pashir, já que ele era o pai do bebê, mas eu sabia que ele provavelmente tinha ido embora com Khandra, aquela mulher que vive tentando me tirar do sério.
— Você tem certeza que está tudo bem, meu amor? — perguntou minha mãe, preocupada. — Você disse que estava sentindo tanta coisa, agora estou realmente preocupada. A médica não ia te internar à toa.
— Já estou melhor, mãe. Foi só emoção de ter discutido com aquela mulher. Pelo visto, ela não vai me respeitar como mãe do filho do marido dela e, sinceramente, estou cansada disso.
— Você precisa entender uma coisa: quando há uma criança envolvida, cada um tem que ficar no seu quadrado. Por mais que ela não te aceite, não muda o fato de o marido dela ser o pai do seu filho. Essa história está enrolada, e vocês têm que conversar, chegar a um acordo. Não é para resolver nada de cabeça quente.
— A senhora acha mesmo que Khandra vai querer conversar? — perguntei, sentindo um nó no estômago. — Ela ficou anos com Zayd, um homem que não prestava, agora vai fazer da minha vida um inferno porque a dela foi um inferno durante todos esses anos.
— Maisha, seja na lei dos homens, seja na lei de Alá, ninguém tira um filho de uma mãe que cuida dele direito. O que você tem que fazer é cuidar do seu filho da melhor maneira possível, para ninguém questionar seu cuidado. O que ele fizer como pai e ela como madrasta é problema deles. Agora, o que você vai fazer como mãe é só seu. Não transfira para si as responsabilidades dos outros. Sabe por quê? Porque, no fim das contas, se der errado, você vai saber que fez o certo. Mas tirar seu filho, eles não vão, porque você não é nenhuma inconsequente. Khandra não é psicopata; ela já tem filhos e sabe o que é ser mãe. Você acha que ela vai te fazer o que não gostaria que fizessem com ela? Duvido muito. Mãe de verdade sabe respeitar a maternidade das outras.
Ela respirou fundo, como se dissesse algo definitivo.
— O seu filho é sua família, Maisha. Desde que ele está dentro de você, ele é sua melhor companhia. Se o pai vai ficar com uma ou outra, isso não é problema seu. Coloque sua cabeça no lugar e pare de fazer besteira. Eu até acreditei que você estava passando mal, mas agora estou começando a achar que pode ser só drama para trazer o pai do seu filho até aqui. Mas deixa, eu vou conversar com todos vocês. Chega de briga, essa é a primeira e última. Não criei minha filha para correr atrás de homem comprometido nem para passar vergonha. Se você quer respeito, respeite a si mesma primeiro.
Fiquei olhando para ela, absorvendo cada palavra. Por mais que doesse, eu sabia que minha mãe tinha razão: era hora de pensar em mim e no meu filho — ninguém mais.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida ao Sheik
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