TESSA
Mais tarde, tranquei-me em um banheiro da empresa.
Precisava pensar, mas minha mente era um redemoinho. Sempre imaginei casar e ter filhos, mas não assim, não tão cedo.
Coloquei as mãos sobre o ventre ainda plano. Era difícil acreditar que uma vida crescia ali.
Pensei em aborto. Devo fazer? Não estou preparada.
Mas só a ideia me enchia de náusea.
As palavras da Audrey ecoaram: eu tinha que contar ao Declan.
Saí do banheiro e fui até seu escritório.
Bati. A voz autoritária respondeu. Entrei. Stella, a secretária, estava lá.
"Posso falar com o senhor? Em particular?", perguntei, a voz um fio.
Ele franziu ligeiramente a testa, mas acenou. Stella saiu.
"O que foi, Tessa?", perguntou, recostando-se na cadeira.
"Estou grávida." A frase saiu direta, sem rodeios.
Ele confirmou com a cabeça. "O boato correu o andar inteiro. Algumas preferem manter em segredo nos primeiros meses, mas você parece… ansiosa para compartilhar. Precisa de licença?"
Pisquei. Ele claramente achava que o bebê não era dele.
Meus punhos se cerraram. "É seu. A criança é sua."
Declan riu, um som seco. "Você tem um namorado."
"Não tenho."
"Não minta. Eu os vi juntos. Lembro-me perfeitamente dele acariciando suas costas, tão… íntimos."
"O Edgar é meu amigo!", interrompi, exasperada.
Ele levantou-se lentamente. "Não é a primeira vez que tentam me atribuir uma paternidade. Não é surpresa."
"Eu não estou tentando! Tivemos uma noite! Não transava havia tempos antes disso, e depois, não fiquei com mais ninguém!", explodi.
Seus olhos se estreitaram um pouco. "Você não tomou a pílula."
Balancei a cabeça.
"Você devia ter…"
"E você devia ter usado uma maldita camisinha!", retruquei, cortante.
Um silêncio pesado caiu entre nós.
O que ele pensava? Sugeriria um aborto? Me pagaria para sumir? Nem eu sabia o que queria que ele fizesse.
"Tem certeza… que é meu?", perguntou ele, tão baixo que quase não ouvi.
Acenei, os olhos repentinamente cheios de lágrimas teimosas.
"De alguma forma… acredito que esteja dizendo a verdade. Mas eu… não planejava ter um filho agora." A voz dele não era mais dura, mas suave, pensativa.
"Você… quer que eu faça um aborto?", sussurrei, o coração na garganta.

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