TESSA
Meus dedos se cerraram dentro dos bolsos enquanto me aproximava deles.
“Bom dia, senhor”, cumprimentei Declan com polidez forçada. Quanto à Anna, decidi ignorá-la por completo.
Daria um passo ao lado para seguir meu caminho, mas a voz melíflua dela me deteve.
“Vai mesmo fingir que não me viu, mana?”
Olhei para ela, a raiva fervendo. “Não somos irmãs.”
“Você é parente do meu padrasto. Isso nos faz da mesma família. Sabe… depois do seu show na festa do tio Wilson, ele ficou mal por dias. Você nem foi visitá-lo.”
Franzi a testa. Como eu deveria saber? E, se bem me lembro, não é da minha conta.
Ela estava claramente tentando me pintar como a vilã.
“Anna, tenho certeza de que você e sua mãe cuidaram muito bem dele. Não preciso me preocupar, já que assumiram essa responsabilidade.”
Seus olhos se estreitaram. “Nunca cansa de fazer papel de coitada?”
Olhei para Declan. Continuar aquela discussão era infantil. Virei-me e segui caminho, sentindo seu olhar nas minhas costas.
Cheguei à minha mesa e soltei o ar preso. Ela não podia me ignorar, nem uma vez?
Fechei os olhos por um instante. Não vou deixar ela estragar meu dia. Não me importa que ele tenha escolhido outra família. Vou ser feliz.
Ao abrir os olhos, porém, o mundo desfocou. Balancei a cabeça, mas tudo se multiplicou – mesas, pessoas, tudo girava. Uma fraqueza súbita tomou conta das minhas pernas. Perdi o equilíbrio e a cadeira escapou de sob mim.
O som do impacto foi abafado por vozes alarmadas e passos apressados. Então, as trevas me engoliram.
Abri os olhos devagar. Tudo ao redor era branco, e um cheiro antisséptico invadia meu nariz. Estava numa cama de hospital.
“Ela acordou!”, ouvi a voz aliviada de Audrey. Ela e nossa colega Fabíola aproximaram-se.
“O que… o que aconteceu? Por que estou aqui?”, perguntei, a voz rouca.
“Você desmaiou no escritório. Te trouxemos correndo para o hospital. Estou tão aliviada!”, disse Audrey.
Meu olhar então pousou numa terceira pessoa, parada ao pé da cama. Anna.
“O que você está fazendo aqui?”
“Oh, querida, ainda estava na empresa quando te levaram de ambulância. Vim com o Declan para me certificar de que estava bem.” Seu sorriso era doce como veneno.
Meu coração deu um salto. “O chefe veio?”
“Ele veio, mas já foi embora”, respondeu Fabíola.
Antes que pudesse processar isso ou perguntar o que causou o desmaio, um médico entrou no quarto.
“Bom ver você acordada. Como está se sentindo?”
“Cansada… muito cansada.”
Ele sorriu, profissional. “Você vai precisar de muito descanso depois da alta, combinado? E fique tranquila, seu bebê está bem.”
O ar pareceu ser sugado do quarto. Um silêncio absoluto.
“Uau”, exalou Anna, o sarcasmo pingando da palavra.
“Eu… o que o senhor disse?”, perguntei, a tontura voltando.
“Oh… você não sabia? Você está grávida. De cinco semanas.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma Noite Com Meu Chefe
Posta maaaaaais...