Mia
Seus nervos já estavam à flor da pele antes mesmo de entrar no restaurante. Suas mãos suavam e ela estava com um enjoo fora do comum. Mesmo assim prosseguiu, indo para o seu inferno particular. A ruiva estava rezando para isso acabar logo e de modo quase indolor.
As razões para esse convite eram um mistério total. Ela só saberia das coisas quando estivesse no meio da tempestade.
Qualquer um que a ouvisse falando assim iria achar que ela era uma exagerada ou fresca — e talvez fosse verdade — se não conhecessem a sua irmã mais nova. O ego dela crescia a cada medalha ou troféu ganho desde que só tinha cinco anos.
Ela admitia que a garota era boa e tinha talento, assim como tinha talento para ser uma insuportável de carteirinha, achando que ninguém poderia ser melhor ou igual a ela.
Pisar naquele lugar a deu uma dor no lado direito do seu corpo, a qual teve que suportar. Até que as viu sentadas a uma mesa, no meio do restaurante.
Bem… Já tinha uma menina pedindo autógrafo e foto para Emy. O que a chateou.
Certo… Ela era a filha do meio que nunca foi nada, nem tinha talento, então vê-la receber tanta atenção a dava gatilhos e a fazia pensar que ela era uma ninguém.
Mia botou um sorriso no rosto para disfarçar o seu desconforto e dor que só aumentava a cada passo que ela dava.
— Mãe — cumprimentei-a, fazendo-a se levantar e a dar um beijo no rosto. — Emy.
Ela se limitou a dar um cumprimento silencioso e nem fez questão de se levantar para a dar um abraço. Particularmente, Mia preferiu assim. As duas sentíamos um ódio mútuo.
— Você está linda, Mia — sua mãe disse, parecendo admirada. — Está tão mudada.
— É, Mia. Está até fina. Isso é surpreendente mesmo — Emily fez questão de completar.
— Foi um elogio? — Franzi o cenho, achando aquilo estranho.
— Se compreendeu assim e acha agradável… — Revirou os olhos.
— Bem… Qual o motivo da pequena reunião? — perguntou, curiosa, sentindo aquela dor a incomodar. Estranhamente, a ânsia de vômito aumentou. — Mãe?
— Ora, Mia, até parece que não posso ver a minha filha enquanto visito Nova York. — Ela deu um leve tapa no seu braço e a ruiva riu por não saber se isso era real ou só bajulação. — Como está sendo morar tão longe de casa?
— Não foi fácil no início, mas agora estou muito bem, na verdade. — encostou-se na cadeira e a acomodou. O que não funcionou muito.
Aquela dor era estranha. Mia já estava sentindo um pouco dela antes de entrar no restaurante. E o enjoo só a deixava com um pé atrás.
— Tenho um trabalho excelente e um… — ela não sabia como complementar a frase. Já era hora de contar?
Suas mãos suavam, seu coração estava na boca. Ela diria tudo.
— Está trabalhando com Taylor Jackson, certo? — importou-se Emy, que até se recostou da cadeira.
A ruiva levantou uma das sobrancelhas, prevendo que aquilo não seria só uma conversa ou um reencontro. Se ela bem conhecia essa garota, estava a bajulando por uma razão pela qual ela iria querer jogar a bandeja de pão na cara dela.
— Quão próxima é dele? — ela indagou.
— Nem precisa continuar. — Levantou a mão, em protesto. — Bem que eu deveria ter pensado que esse não seria nada de um jantar familiar, não é, mamãe? — Ela a encarou, furiosa.
— Mia, eu realmente quero saber de você…
— Vamos ser diretas. — Emília interrompeu o discurso de desculpas que a mãe daria. — Estou há alguns meses perto das olimpíadas e preciso de um grande patrocinador. Sei bem que Taylor Jackson é um visionário nesse ramo.

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