Às 9 em ponto, Daniel parou em frente ao quarto 706. Isto era inusual. Ele tinha as suas dúvidas a respeito; sabia o que ela tramava e, embora estivesse mais do que entusiasmado com a ideia, os seus problemas não se resolveriam assim. Ele bateu e, quando não recebeu resposta, usou a sua própria chave para entrar.
O quarto estava tépido e na penumbra, como se não houvesse ninguém. Deanna saiu do quarto contíguo e Daniel deixou de respirar por um momento. Ela levava vestido uma longa camisola de cetim branco com uma abertura que ia da sua anca até os pés e um decote que deixava pouco à imaginação. Estava descalça, com o cabelo solto, mas o seu rosto parecia diferente.
Ela estava zangada ainda; os seus olhos refletiam-no. Ela observou-o um momento antes de caminhar e parar em frente a ele. Quando a teve perto, ele não pôde evitar que os seus olhos viajassem por toda a extensão do seu corpo. Ele conhecia o que havia por baixo, mas ela não deixava de o surpreender e excitá-lo sempre. Deanna não disse uma só palavra e Daniel não se moveu.
Ela observou-o um pouco mais, inexpressiva. Uma das suas mãos chegou ao ombro do seu casaco e começou a descer lentamente pelo seu peito, passando um dedo por cada botão do seu colete, como se os contasse. O coração de Daniel começava a bater com força. Quando chegou à fivela do seu cinto, ela não se deteve e continuou todo o caminho para baixo. Sentir a mão dela fê-lo fechar os olhos, contendo a respiração.
Deanna deu um passo em frente, usando a mão para procurar o grau de excitação no qual o seu esposo estava. Mas de repente, ele pegou-lhe no pulso, afastando-a. Ela elevou o olhar, desafiante, irritada, e tentou soltar-se.
«É a isto que queres jogar?», perguntou-lhe ele com a voz num sussurro, mas o tom descontrolado.
«Estou cansada que me ignores.»
«Achei que já te tinhas farto de mim... isso disseste-me no outro dia.»
Ele cheirou-lhe o pulso, que ainda segurava com força na sua mão. A sua ideia pareceu-lhe terna, o seu aspeto desafiante. Tentava seduzi-lo jogando à mulher fatal. Desenhou-se-lhe um sorriso confiante nos lábios. Doce Deanna, a querer surpreendê-lo desta maneira. Ele não sabia que ela estava disposta a levá-lo para lá dos limites.
«Bem... falemos então, solta-me.»
«Não te vestiste assim para falar...»
«Não, mas se não queres jogar, é aborrecido... Falemos.»
«Aborrecido?»
«Sim, aborrecido...» — Ele soltou-a.
Estava ela a aborrecer-se dele? De repente, toda essa confiança que a experiência lhe dava se esfumou. Deanna afastou-se e procurou algo para vestir por cima.
«Levas dias a ignorar-me por causa da carta de Leonard...»
Leonard, Leonard... Por que é que o chama assim?
«... ao que parece, nada do que digo te convence. Não acreditas que eu conheço os homens como ele...»
Homens? Quantos homens como ele conhecia?
«... tomas-me por uma inexperiente colegial... Eu não nasci ontem, Daniel...»
«Para mim tu não tens passado...»
«Mas eu tenho, e deverias dar-te conta a esta altura...»
Toda essa liberdade para amar.
«Tentas contar-me sobre todos os tipos com os quais estiveste?»
«Não, tento que vejas que não tens razões para desconfiar de mim.»

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