O mundo parece correr a uma velocidade surpreendente, parece que não se detém; nos atrai à sua atmosfera e nos acelera a vida. Podemos nos perder de muito no processo; como de encontrar esse amor que se converte num refúgio seguro onde o coração pode latir sem medo e que desperta um anseio profundo de conexão e pertencimento.
Alguns dizem que a sua busca começa com o autodescobrimento, uma peregrinação para o interior do nosso ser, a aceitar as sombras que carregamos e a deixar que se entrelaçam com os sonhos sobre o futuro. Outros creem que é um feito fortuito destinado a suceder. Alguém o saberá com exatidão?
O que sim se sabe é que quando finalmente o encontramos, se sente como um novo amanhecer que ilumina o céu da nossa existência, a pintar de cores cálidas e vibrantes o lenço da nossa vida. É um abraço que nos envolve no seu calor, um sussurro que nos faz sentir vivos, um latido que nos recorda que não estamos sós. É o milagre de encontrar um pedaço de nós mesmos no coração de outro.
Tudo adquire um sentido diferente; já não estamos sós. Só há que se baixar um pouco desse giro constante do mundo e observar; porque não há um só tipo de amor e nem todos os amores são iguais. Nem todos estamos destinados a o encontrar ou a nos cruzar com ele. E sem embargo o seu calor nos chega de todas as maneiras: pode ser no sorriso cansado de uma avó ao seu neto, nas palavras de coragem de um amigo, nas mãos ásperas de um pai e até no movimento louco da cauda de um animal de estimação. Mas aí está, a flutuar à nossa volta. Devemos seguir em frente com essa certeza, a apreciar cada manifestação de amor nas suas diversas formas.
O crucial é manter o coração aberto, ser conscientes dos momentos que nos conectam e nos permitir sentir, ainda quando parece que não há nada para nós aí fora. No vaivém da vida, é nesses momentos de quietude e reflexão quando o amor se faz mais evidente, quando entendemos que, apesar das pressas e as distrações, sempre há um lugar no que podemos encontrar um respiro, uma razão para sorrir, uma faísca de calidez que nos recorda que estamos vivos e que somos amados.
Daniel e Deanna estavam a viver esse milagre, o viveriam por muitos anos; porque apesar de que o tempo passa, essa faísca, esse ressurgir de emoções, de paixões e de apoio, se reiniciaria todos os dias. Cada amanhecer era uma nova oportunidade para se redescobrir e se fortalecer mutuamente. Os seus dias estavam cheios desses pequenos momentos que, ainda que pudessem parecer triviais, estavam carregados de significado: as risadas compartilhadas, os silêncios entendidos, os abraços que falavam mais que mil palavras.


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