Certamente, a família da menina já devia ter procurado inúmeros especialistas em cirurgia cardíaca. O fato de a condição dela ter se arrastado até agora deixava claro que ninguém tinha coragem de assumir a responsabilidade de operar.
— Já enviei tudo para o seu e-mail! Quando tiver tempo, dê uma olhada, tá? — Disse a mulher do outro lado da linha, encerrando a ligação sem esperar resposta.
Clarice ficou segurando o celular, sentindo um aperto no coração.
Uma menina de três anos, da mesma idade que Lorenzo, mas já enfrentando algo tão cruel como uma doença no coração. Era de partir o coração.
— Mamãe, está tudo bem? — Lorenzo colocou a colher na mesa e segurou a mão dela com seus dedinhos, preocupado, enquanto sua voz doce soava como música.
Clarice balançou a cabeça, tentando disfarçar.
— Está tudo bem, meu amor.
Mas, por dentro, ela não conseguia parar de pensar na menina. Tão pequena, mas já conhecendo as dificuldades e o sofrimento do mundo.
— Ah, tá bom! — Lorenzo assentiu com um sorriso obediente, voltando a comer seus doces com delicadeza.
Os doces realmente eram deliciosos, como esperado de uma confeitaria tão famosa. Mas Clarice, com a mente em outro lugar, mal conseguiu comer.
Lilian, percebendo que Clarice estava distraída e preocupada desde a ligação, preferiu não perguntar nada. Apenas continuou comendo em silêncio.
Clarice colocou o garfo na mesa e suspirou.
— Vou sair um pouco para tomar ar.
Ela mesma não sabia por que seu humor tinha mudado tão de repente.
— Tudo bem. — Lilian respondeu, sem insistir.
Clarice saiu do reservado e caminhou até o final do corredor. Olhou pela janela, observando o movimento intenso de carros e pessoas na rua lá embaixo. Sentiu-se um pouco mais calma.
— Clarinha, o que você está olhando?
Uma voz masculina, suave e familiar, soou atrás dela.
Clarice se virou devagar, encontrando os olhos do homem que havia falado. Ela sorriu levemente.
— O que você está fazendo aqui?
— Vamos buscar o Lorenzo. — Asher estendeu a mão para ela.
Clarice hesitou por um momento, mas logo colocou a mão na dele.
— Você já almoçou?
Asher inclinou a cabeça para olhar para ela, com um sorriso caloroso que parecia iluminar o ambiente.
— Ainda não. Estive ocupado o dia todo.
— Que tal comer alguma coisa com a gente? — Clarice sugeriu.
— O que aconteceu? Quem era? — Clarice perguntou, notando a expressão tensa de Lilian.
Lilian se sentou, pegou um copo de água e deu um gole antes de responder:
— Era sobre um caso de divórcio que está em andamento há meses. Acabei de saber que a mulher foi assassinada pelo marido.
Ela fez uma pausa e olhou para Lorenzo, percebendo que havia dito algo impróprio.
— Desculpa, não devia ter falado disso na frente dele.
— Me envie os documentos desse caso. Quero dar uma olhada. — Clarice disse com firmeza, demonstrando confiança.
O que poderia ter provocado tanto ódio entre duas pessoas a ponto de acabar em assassinato?
— Vou organizar tudo e te enviar assim que chegar em casa. — Lilian respondeu. Ela sabia do que Clarice era capaz. Qualquer caso parecia simples quando estava nas mãos dela.
Clarice franziu os lábios, pensativa. Pegou o celular e abriu as notícias.
Como esperado, o caso já estava estampado nos portais de notícias.
A descrição do crime era brutal. A mulher havia sido morta de forma cruel. Clarice não conseguia entender que tipo de rancor poderia justificar algo assim.
Depois de ler as notícias, ela ficou ansiosa para voltar para casa e analisar os documentos do caso. Saiu apressada, mas, ao sair do elevador, acabou esbarrando em alguém.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...